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Cotidiano
09/08/2001 - 02h51

Jornada de trabalho do piloto será investigada

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KEILA RIBEIRO
da Folha Vale

O Ministério do Trabalho instaurou ontem um processo investigatório para apurar se o acidente ocorrido com o helicóptero do grupo Pão de Açúcar em Maresias, em São Sebastião, pode ter sido provocado por imprudência do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, devido ao excesso de trabalho.

Na queda, no dia 27 de julho, morreram o piloto e a modelo Fernanda Vogel, 20, namorada de João Paulo Diniz, vice-presidente do grupo Pão de Açúcar.

A jornada de trabalho de Ribeiro e as escalas que foram cumpridas no último mês, assim como o fato de o piloto estar com o ombro machucado quando voou, vão ser analisados pela delegacia do ministério em São Sebastião.

Até ontem, o DAC (Departamento de Aviação Civil), com base no depoimento prestado pelo co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, trabalhava com a hipótese de falha humana.

Os equipamentos de segurança que a aeronave possuía e a obediência da empresa às normas de saúde e segurança do funcionário também serão checadas.

O auditor fiscal do Ministério do Trabalho em São Sebastião, Cláudio Augusto Tarifa, disse que o processo investigatório foi aberto por se tratar de morte ocorrida durante um acidente de trabalho.

Tarifa disse que, se ficar comprovado pelo DAC que a queda foi provocada por imprudência, o ministério quer saber os fatores que podem tê-la provocado.

"O excesso de trabalho e a usência de escalas podem provocar o estresse. Isso pode ocasionar a distração do piloto e, consequentemente, acidentes", disse.

Se for achada irregularidade em algum item, o grupo pode ser multado e a investigação deve ser encaminhada aos outros órgãos que apuram o caso.

 

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