Lula defende união de movimentos para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu nesta terça-feira, Dia Nacional da Consciência Negra, que os afrodescendentes se unam e exijam de forma organizada seus direitos. Segundo ele, a união é fundamental também para garantir a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que tramita há quase dez anos no Congresso.
Lula afirmou que é necessário definir uma proposta única para evitar polêmicas e mais atrasos.
Bem-humorado, o presidente recomendou que os afrodescendentes "cutuquem" o governo para que obtenham os benefícios prometidos. "Com o somatório de cutucação é que vocês vão tirar mais conquistas", afirmou, durante a cerimônia em que anunciou a liberação de R$ 2,1 bilhões --no período de 2008-2011-- que deverão beneficiar 850 mil pessoas de comunidades quilombolas espalhadas no Nordeste, Sudeste e Sul do país.
Estatuto
"O estatuto [da Igualdade Racial] só será aprovado quando tivermos uma só proposta. Ou nós vamos completar cem anos, como o [arquiteto] Oscar Niemeyer o estatuto ainda vai estar no Congresso", disse Lula.
"Será que vocês não aprenderam? Quanto mais nós exigimos [de forma dividida, sem unidade], mais os adversários têm vitórias sobre nós."
Em seguida, o presidente afirmou que: "Vamos deixar aquilo que nos desune de lado para a gente conquistar a vitória". Indiretamente, ele lembrou que nem sempre tudo o que é necessário e desejado pode ser incluído em uma proposta. "É quase um apelo: as coisas que nós temos de fazer serão alcançadas, se a gente construir o possível", disse.
Na presença de autoridades brasileiras e estrangeiras, além de representantes de movimentos de defesa dos afrodescendentes, dos quilombolas e de religiões de origem africana, o ministro Gilberto Gil (Cultura) fez um discurso emocionado. "Não foi uma caminhada fácil. Não tem sido. Nem será [mas já houve avanços]", disse ele.
A ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) também se emocionou durante a solenidade: "Tenho orgulho de ser descendente de africanos e acho que todos aqui têm".
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