Publicidade

Cotidiano
23/11/2007 - 23h45

Jovem que ficou presa em cela com homens diz ter sofrido ameaças

Publicidade

da Agência Brasil
da Folha Online

A jovem que ficou detida em uma cela com 20 homens em Abaetetuba (PA) disse nesta sexta-feira a integrantes de uma comissão criada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos que recebeu ameaças de morte e "conselhos" de deixar a cidade.

O caso é acompanhado pela comissão, que foi ao Estado com o objetivo de garantir a integridade física da garota e de seus familiares.

A secretária-adjunta da Subsecretaria dos Direitos da Criança e do Adolescente, Márcia Ustra Soares, afirmou que a menina e os pais deverão ser incluídos no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçadas de Morte.

"Nós viemos aqui para tomar conhecimento dos fatos, ter acesso a documentação que diz respeito aos inquéritos administrativos e policiais que estão ocorrendo no Estado, para que a gente possa oportunamente sugestionar para que o inquérito seja levado a cabo e os responsáveis sejam punidos", disse.

A jovem foi presa por furto em 21 de outubro, e o caso foi denunciado às autoridades pelo Conselho Tutelar da cidade no dia 14 de novembro. Aos conselheiros tutelares, ela disse ter sofrido abuso sexual dos cerca de 20 presos da cela, que teve que fazer sexo com eles em troca de comida e que foi agredida --apresentava hematomas e marcas de queimadura de cigarro pelo corpo.

A secretária-adjunta da Subsecretaria dos Direitos da Criança e do Adolescente afirmou que denúncias de que outras mulheres também sofrem com irregularidades nas cadeias da região serão apuradas.

Estado

A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), reconheceu a gravidade do caso e afirmou, nesta sexta-feira, que foram tomadas medidas para afastar os envolvidos e "abrir procedimentos investigatórios, punir exemplarmente os responsáveis por essa barbaridade, e impedir que aconteçam novos casos".

O Estado possui apenas um presídio feminino, com 204 vagas. Atualmente, das 217 presas, 138 são provisórias --aguardam decisão judicial e acompanhamento do Ministério Público--, 48 estão em regime fechado e 31 em regime semi-aberto.

"Isso significa que é necessário maior agilidade do Poder Judiciário. O sistema não depende apenas do Executivo. Temos que fazer a nossa parte, mas existe um fluxo em que os outros atores também têm que funcionar", criticou a governadora.

Segundo informações do governo Estadual, Ana Júlia já determinou que, nos flagrantes de adolescentes e mulheres em municípios que não possuam locais adequados, os delegados devem comunicar imediatamente a Justiça para solicitar a transferência do detido.

Na próxima segunda-feira (26), a governadora deverá se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Justiça, Tarso Genro, em Brasília, para apresentar os projetos de reforma das delegacias do Estado.

Acompanhe as notícias da Folha Online em seu celular: digite wap.folha.com.br.

Comentários dos leitores
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 16h02
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 16h02
Este Delegado q gosta desse tipo de sacanagem deveria ser expulço da SSP e dar o lugar para outro mas competente q não aceita esse tipo de abuso.
Mas q vergonha seu Delegado!!!
sem opinião
avalie fechar
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 15h59
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 15h59
Agradeço a todos por terem me aceitado e desejo receber e-mails deste jornal oline sem opinião
avalie fechar
Carlos Gonçalves (226) 26/06/2008 17h53
Carlos Gonçalves (226) 26/06/2008 17h53
Os senadores deveriam ter prendido esse delegado geral do Pará, por charlatanice. Quem é ele para dar opinião sobre uma pessoa que sofreu barbárie. Mas é a arrogância e a certeza de impunidade que o leva a fazer isso. A dar esse tipo de declaração. Na mesma linha do Judiciário daquele estado do Pará. Omisso e cúmplice de muitos crimes que por lá acontecem. Escravidão é sinônimo de Pará. 6 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (345)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca