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Cotidiano
27/11/2007 - 11h51

Para delegado, garota presa com homens no PA "tem debilidade mental"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Texto atualizado às 15h15

O delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassuly, afirmou nesta terça-feira no Senado que a garota de 15 anos que permaneceu presa com 20 homens em uma cela de Abaetetuba sofre de "debilidade mental".

A declaração do delegado-geral ocorreu em uma audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Casa marcada para discutir o caso, depois que a história foi presenciada pela garota. "Essa moça tem certamente alguma debilidade mental porque em nenhum momento ela manifestou sua menoridade penal", disse o delegado.

A chefe de Benassuly, a governadora do Pará Ana Júlia Carepa (PT), também estava na audiência, mas desautorizou o delegado. "Não tem justificativa alguma. Se alguém tentar justificar, é um absurdo", afirmou Carepa. "Não vou tolerar esse tipo de barbaridade [a prisão da jovem]", completou.

O presidente nacional de OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, também considerou absurda a argumentação do delegado. "Chegou-se ao ponto de dizer que [a prisão de mulheres com homens] poderia ter acontecido se ela não fosse adolescente", disse Britto.

Depois de insinuar o retardo da garota, o delegado-geral tentou amenizar a situação e explicou que ela já havia sido presa na mesma cadeia e pode ter sido vítima de violência sexual em outras ocasiões. "A violência que ela sofreu pode tê-la deixado abalada", afirmou.

Benassuly também admitiu que o sistema carcerário do Estado é precário. 'A situação se agravou porque neste ano se prendeu quatro vezes mais que no ano passado', afirmou.

Negligência

A investigação da Corregedoria da Polícia Civil concluiu que a carceragem de Abaetetuba (PA), tinha outra cela, separada por grades, onde a garota poderia ter ficado isolada dos demais presos.

Para a delegada Liane Martins, que conduz a investigação sobre a responsabilidade de três delegados de Abaetetuba no caso, há indícios de negligência por não terem investigado a idade da jovem --eles disseram que, ao ser presa, a garota declarou ter nascido em 1987 e não portava documento.

Segundo a delegada, a adolescente foi mantida presa com 12 homens, em média, enquanto outros oito presos, considerados mais perigosos, ficavam no espaço reservado, sem contato com os demais. A Polícia Civil não respondeu por que a garota não foi isolada nem a capacidade de cada cela. Segundo o órgão, juntas, as duas celas podem abrigar de 25 a 30 pessoas.

Com Agência Folha

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Comentários dos leitores
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 16h02
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 16h02
Este Delegado q gosta desse tipo de sacanagem deveria ser expulço da SSP e dar o lugar para outro mas competente q não aceita esse tipo de abuso.
Mas q vergonha seu Delegado!!!
sem opinião
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Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 15h59
Edvaldo Oliveira (2) 14/09/2008 15h59
Agradeço a todos por terem me aceitado e desejo receber e-mails deste jornal oline sem opinião
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Carlos Gonçalves (226) 26/06/2008 17h53
Carlos Gonçalves (226) 26/06/2008 17h53
Os senadores deveriam ter prendido esse delegado geral do Pará, por charlatanice. Quem é ele para dar opinião sobre uma pessoa que sofreu barbárie. Mas é a arrogância e a certeza de impunidade que o leva a fazer isso. A dar esse tipo de declaração. Na mesma linha do Judiciário daquele estado do Pará. Omisso e cúmplice de muitos crimes que por lá acontecem. Escravidão é sinônimo de Pará. 6 opiniões
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