Presas do PA dizem ser comum "cela mista" e casos de gravidez
da Folha Online
Reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL) revela que casos de celas com mulheres e homens são comuns em delegacias do interior do Pará. Em visita ao Centro de Reeducação Feminina em Ananindeua, a Folha ouviu relatos de violência física e sexual semelhantes aos da garota de 15 anos detida em uma cela com cerca de 20 homens, em Abaetetuba.
"Ficava lá convivendo... ameaça e desprezo. Tinha que tentar ficar com um menino lá para tentar ver se não me faziam mais mal", disse a presidiária Valdecira Pantoja, 28, à Folha. Ela engravidou duas vezes desde que foi presa em 2003 --seu caçula nasceu há 15 dias e foi entregue a uma irmã, sem período de amamentação. "Não sei quem é o pai. Eu fiquei lá com os meninos, nem eu sei quem é o pai."
Outra detenta, recém-chegada, disse ter testemunhado um caso de abuso de poder e estupro na delegacia de São Miguel do Guama.
"Há um mês, os policiais trouxeram uma mulher, que é doente mental, a Nazaré. Os presos a puxaram para dentro da cela e se serviram dela. O investigador ficava de cima filmando com o celular. Foram uns sete ou oito homens que abusaram dela, que estava doida mesmo", disse Iara de Jesus Batista Abreu, 35.
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