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Cotidiano
03/12/2007 - 08h22

14 são detidos com droga em festival de música eletrônica no Rio

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ÍTALO NOGUEIRA
da Folha de S.Paulo, no Rio

O festival de música eletrônica Creamfields, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, acabou com um saldo de 14 pessoas detidas por porte de droga, entre elas duas com menos de 18 anos. Outros 20 menores de idade foram barrados na chegada e entregues aos responsáveis por uma operação policial feita para coibir a entrada de drogas.

Foram encontrados com os detidos ecstasy, LSD, lança-perfume, cocaína e maconha. Levados para a 16ª DP (Barra da Tijuca), eles foram autuados por porte de entorpecentes e liberados depois de assinarem um termo de compromisso de que responderão em juízo.

"Nossa intenção é a conscientização. Com certeza muitos conseguiram driblar [a fiscalização]. O problema é que as pessoas estão perdendo a noção do quanto se drogam", afirmou o delegado Marco Castro, responsável pela ação.

A operação em apoio à organização do evento contou com 25 policiais de quatro batalhões. Eles montaram um posto do IFP (Instituto Felix Pacheco) para checar a identidade daqueles que aparentavam ter menos de 18 anos.

Cerca de 10 mil pessoas passaram pelo evento, que começou às 20h de sábado.

Limites

"Acredite e alcançarás", diz a tatuagem nas costas de uma das 10 mil pessoas que foram ontem ao festival de música. Boa parte dos que ali estão acreditam que é possível testar os limites do corpo e da lei.

Por 12 horas, os presentes pularam ininterruptamente. Para eles, trata-se de sentir a "vibe" (vibração em inglês). Essa vibração pode ser sentida à frente de todos os três palcos montados no Riocentro, causado pelo bate-estaca que sai de cada caixa de som.

A batida dita o ritmo dos passos frenéticos. É possível ver alguns recorrendo à droga para manter o ritmo. Drogados, eles conseguem manter os corpos --geralmente muito malhados-- ativos. Outros seguem "caretas" com uma disposição impressionante.

Desde a morte de Lucas Maiorano, 17, por uso excessivo de drogas em uma festa rave em Itaboraí (45 km do Rio), os freqüentadores deste tipo de evento se dizem "marginalizados". "Isso é coisa de alguns "fritos" loucos que aparecem. Moleques. A maioria está aqui para curtir o som", diz o estudante de direito Eduardo Morais, 24.

"Fritos" são os que perdem no teste do limite do corpo e da lei: exageram no ecstasy ou no ácido e vão parar no hospital. Em alguns casos, têm convulsões ou tremem muito, e estariam "fritando".

De acordo com a equipe médica do evento, ontem ninguém "fritou" em razão de drogas. Foram atendidas 98 pessoas até as 7h30. "A maioria por bebedeira", afirmou a gerente de atendimento Ana Correa Alves.

Foram contratados para a festa 400 seguranças, com cães farejadores. Mesmo assim houve alguns focos de briga. Ao menos cinco pessoas foram retiradas do evento. "Temos que ficar sempre atento. Neste tipo de festa, basta uma faísca para estourar uma bomba."

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