Para Genro, prisão de garota com homens é "síntese da barbárie"
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
O ministro da Justiça, Tarso Genro, declarou nesta terça-feira que a prisão da garota de 15 anos com 20 homens em Abaetetuba (PA) resume "a barbárie" no sistema penitenciário brasileiro.
"É uma síntese da barbárie à qual está submetido o sistema penitenciário do Brasil. Mas não se espantem, isso pode estar acontecendo agora, nesse momento, em algum lugar do país", afirmou Genro em Osasco (Grande São Paulo), após a assinatura de adesão de municípios paulistas ao Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania).
A adolescente foi presa em flagrante acusada de furto e ficou detida com homens entre 21 de outubro e 14 de novembro. Depois que o caso veio à público, quatro delegados foram afastados --inclusive o delegado-geral da Polícia Civil paraense, Raimundo Benassuly, que declarou no Senado que a garota parecia sofrer "debilidade mental".
A prisão da adolescente levou o governo federal a liberar R$ 89 milhões para a segurança pública no Pará, dos quais R$ 14 milhões devem ser investidos em novos presídios. Genro, no entanto, admitiu hoje que a quantia não basta. O ministro avaliou que "R$ 100 milhões não seriam suficientes para que nós alcançássemos padrões internacionais, como o da Suíça."
Apesar do repasse, o ministro disse também que não tem um plano emergencial para o sistema penitenciário. "Não vivemos uma emergência. Temos projetos para reforma do sistema, os [11] Estados que aderiram o Pronasci estão apresentando planos diretores", concluiu o ministro.
Mortes
Na manhã desta terça-feira, um agente penitenciário e um preso foram mortos em um motim no presídio Urso Branco, em Porto Velho (RO). A rebelião começou por volta das 6h, quando agentes penitenciários foram ao pavilhão F retirar presos que seriam levados a audiências judiciais. Segundo a Seapen (Secretaria de Estado de Assuntos Penitenciários), os presos estavam armados com um revólver calibre 38 e teriam atirado contra os carcereiros.
Ao mesmo tempo, no pavilhão E, um grupo de presos atacou o detento Luiz Carlos da Silva, que morreu com golpes de facas artesanais, conhecidos como "chuchos". A Seapen considera ao menos cinco agentes suspeitos de facilitar a entrada da arma no presídio.
Ontem (3), um preso morreu baleado em conseqüência de uma tentativa de fuga do CDP-2 (Centro de Detenção Provisória) de Osasco, na Grande São Paulo. Outros três ficaram feridos.
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Mas q vergonha seu Delegado!!!
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