Professor de cursinho divulgou aos alunos duas questões do exame da OAB-SP
CRISTIANE CAPUCHINHO
Colaboração para a Folha Online
Duas perguntas integrais e trechos de ao menos cinco outras questões do exame da OAB (Ordem de Advogados do Brasil) de São Paulo teriam sido divulgadas por um professor de cursinho de direito, provocando o cancelamento da primeira fase do exame, que ocorreria neste domingo.
O presidente da seção paulista da OAB, Luiz Flávio Borges D'Urso, informou hoje que ainda não há previsão de uma nova data para a prova da primeira fase (de múltipla escolha), e que será realizada apenas no início do próximo ano adiando, assim, a segunda fase (discursiva).
A denúncia foi recebida no final da tarde de ontem por telefone pelo próprio presidente da OAB-SP. As informações foram passadas imediatamente a Brás Martins Neto, presidente da Comissão de Estágio e Exame da Ordem, que confirmou a presença de duas destas questões com texto integral na prova.
Avaliação
Para a elaboração da prova, a comissão responsável reúne questões formuladas por professores e advogados em um banco de dados, de onde são selecionadas pessoalmente pelo presidente da comissão as cem perguntas que farão parte do exame.
Assim, Martins Neto era a única pessoa da ordem a ter acesso ao conteúdo do concurso. Com dez dias de antecedência, é realizada uma reunião com um representante da Vunesp (Fundação para o Vestibular da Unesp), responsável pela impressão e distribuição em todo o estado de São Paulo.
D'Urso, que não quis revelar o nome do denunciante, afirma ainda não ter dados sobre o cursinho e o nome do professor que teria repassado as questões a seus alunos. Ele disse já ter contatado a Procuradoria Geral da República e solicitará a instauração de inquérito pela Polícia Federal.
Outra prova será elaborada e a nova data informada pela ordem por edital.
Fraudes
Esta é a primeira vez que ocorre denúncia de quebra de sigilo no exame da ordem em São Paulo. Entretanto, neste ano já foi cancelado o concurso da seccional de Goiás por vazamento de informações da prova prático-profissional. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu 11 pessoas suspeitas de fraude, entre elas o presidente e o vice-presidente da Comissão de Estágio e Exames da OAB de Goiás.
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