Cotidiano
13/12/2007 - 08h36

Em 24 horas, Caraíbas sofreu 162 tremores

PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Itacarambi

A terra tremeu 162 vezes no entorno da comunidade de Caraíbas nas primeiras 24 horas após a ocorrência do tremor de 4,9 graus na escala Richter, por volta de 0h03 do domingo. Só na primeira hora após o abalo sísmico, foram 42 tremores.

Esses são os primeiros resultados das análises dos técnicos do Observatório Sismológico da UnB (Universidade de Brasília). Eles foram apresentados pelo chefe da unidade, Lucas Barros, e pelo geólogo Cristiano Chimpliganond.

A maior magnitude desses tremores foi de 1,9 ponto. E a intensidade foi de 2 na escala Mercalli, que vai de 1 a 12 --no domingo, a intensidade foi de 7.

Segundo Barros, a área atingida pelo tremor foi de 6 km. O epicentro foi Caraíbas. Nos tremores que se seguiram, o epicentro deslocou 1,2 km.

Os técnicos da UnB dizem que os tremores de baixa intensidade já eram esperados e que é normal que ocorram logo após um de maior intensidade. Os abalos "vão continuar acontecendo, mas com a tendência de diminuírem com o tempo", segundo o chefe da unidade.

Fazenda

Um dia após oferecer ao governo federal, para desapropriação, uma fazenda em que tem participação societária como solução para os desabrigados, o prefeito de Itacarambi (662 km de Belo Horizonte), José Ferreira de Paula (DEM), recuou após as críticas da oposição, admitiu ter sido "infeliz" e definiu a área em que as 76 famílias vão morar. Apesar de dependentes da roça, elas terão que sair da zona rural.

Em reunião com o representante da Cohab, a companhia urbanizadora do Estado, que arcará com o custo das construções das casas, De Paula anunciou que vai doar um terreno que a prefeitura comprou há cinco anos, no bairro São José.

O prefeito disse que não foi possível alojá-los no campo. "Terra para comprar tem, mas a prefeitura não tem dinheiro. O ideal seria uma propriedade rural, mas a decisão é até mesmo contra a vontade da gente."

Até fevereiro, as casas precisam estar prontas para que as creches estejam desocupadas, e as crianças possam voltar para a escola. O prefeito negocia a compra de mais 20 hectares para ampliar o loteamento.

O anúncio, feito ontem à tarde, foi também uma forma de dar um fim à história de sua fazenda. De Paula afirmou anteontem que a propriedade, "avaliada pelos sócios em R$ 2 milhões, mas que poderia ser vendida até por R$ 1,5 milhão", poderia se transformar em uma agrovila para os desabrigados.

Ele disse que o governo federal poderia comprar o terreno de 620 hectares, a 10 km do centro da cidade. A área foi comprada da construtora Andrade Gutierrez, segundo ele, por 14 pessoas. Ele e a filha têm parte no negócio.

Comentários dos leitores
dagoberto mensch (1) 16/12/2007 08h03
dagoberto mensch (1) 16/12/2007 08h03
Considerando que um tremor de 4.9 na escala Richter é de intensidade compatível com uma explosão de uma bomba atômica, eu não me apressaria em culpar a humanidade por este terremoto em particular. A causa é desonhecida, ainda. Se nosso governo der o devido incentivo para a pesquisa científica e não superstições infundadas, talvez um dia teremos a explicação. Quanto a possíveis motivos causados por seres humanos, embora exista a possibilidade de grandes represas causarem tremores após sua construção, até a acomodação das rochas e liberação de tensões mecânicas causadas pela sua construção, não é o caso. Tem que pesquisar, testar a hipóteses e aguardar os resultados de coleta de dados dos sismógrafos instalados. E a responsabilidade de cuidar da população é do governo, não dos cientistas. Mas espero que agora seja mais divulgado que no Brasil ocorrem, sim, terremotos, como pode ser en contrado , por exemplo, no livro "Sismicidade Do Brasil" (de J. Berrocal e outros autores, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e Comissão Nacional de Energia Nuclear) - tremores desde abril de 1560. OUtro em 1690, perto de Manaus. Outros em Itajubá (MG), em 31/07/1861, Campanha (MG) - 08/04/1863; Poços de Caldas (MG) - 21/10/1882; Pouso Alegre (1884) - 05/07/1884;Bom Sucesso (MG) - vários em 1901/1902, No site do United States Geological Survey pode-se encontrar também alguma coisa. 1 opinião
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Deolinda Gouvêa (1) 14/12/2007 11h50
Deolinda Gouvêa (1) 14/12/2007 11h50
LONDRINA / PR
Prezado JOÃO WAINER, repórter fotográfico da Folha de S.Paulo. Se eu morasse no vilarejo simples, pobre e agora também assustado, não gostaria de saber que estão chamando o lugar onde moro de vilarejo-fantasma... Sensibilidade deve fazer parte de alguém com essa tão linda profissão! 5 opiniões
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LENCOIS PAULISTA / SP
Não sou nenhum conhecedor do assunto, mas é facil entender que toda ação gera reação; O homem destruiu o planeta. 30 opiniões
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