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Cotidiano
14/12/2007 - 08h48

Famílias afetadas por tremor em MG divergem sobre sair da roça

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PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Itacarambi

As 76 famílias de desabrigados da extinta comunidade em Itacarambi (662 km de Belo Horizonte) estão divididas. Dependentes do trabalho na roça, elas se surpreenderam com a escolha de uma área na cidade para refazer a vida, após o tremor que danificou casas e deixou uma criança morta e seis feridos.

A decisão do prefeito José Ferreira de Paula (DEM) de construir as casas no bairro São José, na periferia de Itacarambi, gera incertezas.

O aposentado José Martins Soares, 65, que recebe R$ 380 do INSS, diz se preocupar com quem depende do campo. "Para quem precisa da roça, a cidade não é boa."

Em uma das creches, foram ouvidas 11 famílias que estão temporariamente no local. Cinco concordam em viver na cidade --entre elas, a de Soares. Quatro foram contrárias. Duas estão indecisas.

"A minha renda está na roça. É lá que tem movimento de trabalho", diz Aldivino Nunes de Souza, 39, dois filhos, beneficiário do Bolsa Família (R$ 95) e até então cultivador em meio hectare de um terreno da comunidade de Caraíbas.

Expedito Lopes Leite, 36, casado, três filhos, beneficiário do Bolsa Família (R$ 35), também depende da roça, mas diz se conformar se a solução for viver na cidade.

Há casos de quem realmente prefere a vida urbana. Maria Aparecida dos Santos Mota, 28, cujo marido depende do trabalho na roça, diz que "ficará contente de morar na cidade". O terreno a ser doado foi comprado pelo município há cinco anos.

A Associação dos Pequenos Produtores Rurais das Caraíbas diz querer que as famílias sejam colocadas na fazenda -que tem como um dos sócios o prefeito José Ferreira de Paula (DEM). Ele ofereceu a fazenda, mas foi tachado de "oportunista" pela oposição. Anteontem, admitiu ter sido "infeliz" e anunciou o terreno em São José.

Comentários dos leitores
dagoberto mensch (1) 16/12/2007 08h03
dagoberto mensch (1) 16/12/2007 08h03
Considerando que um tremor de 4.9 na escala Richter é de intensidade compatível com uma explosão de uma bomba atômica, eu não me apressaria em culpar a humanidade por este terremoto em particular. A causa é desonhecida, ainda. Se nosso governo der o devido incentivo para a pesquisa científica e não superstições infundadas, talvez um dia teremos a explicação. Quanto a possíveis motivos causados por seres humanos, embora exista a possibilidade de grandes represas causarem tremores após sua construção, até a acomodação das rochas e liberação de tensões mecânicas causadas pela sua construção, não é o caso. Tem que pesquisar, testar a hipóteses e aguardar os resultados de coleta de dados dos sismógrafos instalados. E a responsabilidade de cuidar da população é do governo, não dos cientistas. Mas espero que agora seja mais divulgado que no Brasil ocorrem, sim, terremotos, como pode ser en contrado , por exemplo, no livro "Sismicidade Do Brasil" (de J. Berrocal e outros autores, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP e Comissão Nacional de Energia Nuclear) - tremores desde abril de 1560. OUtro em 1690, perto de Manaus. Outros em Itajubá (MG), em 31/07/1861, Campanha (MG) - 08/04/1863; Poços de Caldas (MG) - 21/10/1882; Pouso Alegre (1884) - 05/07/1884;Bom Sucesso (MG) - vários em 1901/1902, No site do United States Geological Survey pode-se encontrar também alguma coisa. 9 opiniões
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Deolinda Gouvêa (1) 14/12/2007 11h50
Deolinda Gouvêa (1) 14/12/2007 11h50
LONDRINA / PR
Prezado JOÃO WAINER, repórter fotográfico da Folha de S.Paulo. Se eu morasse no vilarejo simples, pobre e agora também assustado, não gostaria de saber que estão chamando o lugar onde moro de vilarejo-fantasma... Sensibilidade deve fazer parte de alguém com essa tão linda profissão! 17 opiniões
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Não sou nenhum conhecedor do assunto, mas é facil entender que toda ação gera reação; O homem destruiu o planeta. 38 opiniões
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