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Cotidiano
17/12/2007 - 21h16

Laudos psicológicos apontam abusos em crianças em comunidade naturista no RS

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SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre

Laudos de avaliação psicológica feitos em duas crianças que freqüentavam a comunidade naturista Colina do Sol, em Taquara (73 km de Porto Alegre), apontam que elas foram vítimas de abuso sexual.

O casal de norte-americanos Frederich Louderback, 63, e Barbara Anner, 72, foi preso no local sob suspeita de pedofilia. Dois brasileiros também foram presos suspeitos de ligação com o caso.

O resultado dos exames, realizados na última quarta-feira (12), foram divulgados nesta segunda-feira pelo delegado Juliano Ferreira, responsável pela investigação.

Os laudos não constatam há quanto tempo nem por quem as crianças foram abusadas.
Seis crianças foram analisadas pela psiquiatra Heloísa Fischer Meyer, especialista em violência doméstica. Foram feitas entrevistas com elas.

Segundo os laudos apresentados por Ferreira, "são fortes os indícios de abuso" em dois garotos --um de 12 anos e outro de 14 anos. O resultado do laudo de uma garota de 13 anos é inconclusivo.

Segundo Ferreira, em um dos depoimentos um menino disse que tirou algumas fotos sem roupa com a promessa de adoção e de ser levado aos Estados Unidos. O laudo do menino ainda não foi divulgado, assim como outros dois.

Os americanos moram na colônia de naturismo desde 2001. O casal de brasileiros, que morou por um período na Colina do Sol, se mudou no ano passado para uma casa alugada distante um quilômetro do clube.

As investigações tiveram início em outubro, a partir de depoimentos de moradores da comunidade naturista. Um agente foi infiltrado no local durante dois finais de semana.

Na casa dos americanos, a polícia recolheu fotos que mostram meninos de 8 a 14 anos nus. Também foram recolhidos computadores, fitas e DVDs, que estão sendo analisados.

Com base nos laudos psicológicos, o delegado pediu que sejam realizados exames físicos nas crianças. Os outros três laudos devem ser divulgados nos próximos dias.

A Justiça de Taquara prorrogou, na sexta, por mais cinco dias as prisões temporárias dos quatro suspeitos.

Outro lado

Por meio de advogados, os dois casais negam a prática de pedofilia.

Segundo o advogado Vitor Peruchin, que defende os norte-americanos, os dois mantêm a versão de que houve uma armação para incriminá-los. "Eles continuam espantados com tudo o que está acontecendo. Eles estão à disposição para depor e prestar esclarecimentos, mas o delegado não os ouviu novamente."

O casal diz que as fotografias de meninos nus recolhidas em sua casa e em computadores foram "plantadas".

O advogado diz que aguarda a acusação formal pela prisão do casal e critica a prisão temporária. Segundo ele, não existem provas concretas para prender os dois.

Na semana passada, a Folha conversou com um menino de 14 anos, que, segundo a polícia, é um dos suspeitos de ter sofrido abuso. Ele e a mãe negam que o casal tenha cometido o crime.

 

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