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Cotidiano
17/12/2007 - 23h12

Farmácia se recusa a vender remédio e estudante asmática morre em Salvador

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MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha

A família da estudante universitária e recepcionista Viviane Barbosa, 29, morta na semana passada após sofrer uma crise de asma, diz que uma farmácia de Salvador se recusou a vender um produto que seria levado a ela porque faltavam R$ 10 para a compra --uma "bombinha" usada por quem sofre de asma brônquica.

Sem o produto, afirma a família, a estudante teve de ser levada ao hospital e morreu em seguida.

O Ministério Público da Bahia está investigando o caso e marcou para terça-feira (18) uma audiência com familiares para apurar o que aconteceu.

Soraia Brito Barbosa, 46, mãe de Viviane, conta que a filha, que tinha asma brônquica, passou mal na noite da última quarta-feira (12) e foi levada pelo padrasto, Renê Borges Moreira, até a farmácia mais próxima.

"Na correria, ele saiu sem muito dinheiro na carteira. A minha filha ficou no carro, estava quase desmaiada, e ele pediu para a atendente vender para ele, mostrou documentos, disse que era urgente. Ela disse que não queria documentos e que, se ele quisesse levar o remédio, tinha que pagar", diz Soraia.

Ainda segundo ela, Viviane morreu, já no hospital, meia hora após o padrasto chegar à farmácia. Ela era estudante de pedagogia e mãe de dois filhos --de nove e cinco anos.

A mãe de Viviane diz não ter intenção de fazer queixa-crime na polícia. "A justiça é só Deus quem faz", afirma. Já as irmãs de Viviane querem processar o estabelecimento por omissão.
Um boletim de ocorrência foi registrado no 4º DP de Salvador antes de o corpo ser encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal).

De acordo com o promotor Valdemir Leão, do Nacres (Núcleo de Apuração de Crimes Relativos a Erros na Área de Saúde) do Ministério Público da Bahia, ainda é necessário aguardar o resultado da necropsia para saber se houve relação entre a morte da estudante e a ausência do atendimento.

Segundo ele, a Promotoria poderá instaurar uma ação por omissão de socorro contra a atendente, mas ainda será necessário provar que houve dolo (intenção) em não prestar socorro mesmo sabendo que poderia prejudicar a estudante.

"Agora tem gente querendo até apedrejar a farmácia, mas é preciso manter a cautela" diz.
A reportagem tentou ouvir o gerente da farmácia, mas um funcionário disse que ninguém poderia comentar o caso.

De acordo com Clóvis Reis, do Conselho Regional de Farmácias da Bahia, o caso é lamentável, mas o erro, se houve, foi da atendente, não do farmacêutico do estabelecimento --que, segundo ele, não estava no local quando o fato ocorreu.

 

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