Cotidiano
19/12/2007 - 20h07

Procuradoria denuncia Denise Abreu e Zuanazzi por norma irregular

da Folha Online

Texto atualizado às 20h57

O MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo denunciou à Justiça nesta quarta-feira dois ex-integrantes da diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o ex-presidente Milton Zuanazzi, e a ex-diretora Denise Abreu, por uma norma irregular apresentada à Justiça.

A norma foi apresentada após o acidente com o vôo 3054 da TAM, em Congonhas (zona sul de São Paulo), em julho deste ano, que matou 199 pessoas.

À época, a desembargadora federal Cecília Marcondes, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, afirmou que, meses antes, foi levada pela então diretora da Anac Denise Abreu a crer que a norma estava em vigor e que, com base nela, liberou as operações em Congonhas. Após o acidente as operações do terminal ficaram temporariamente suspensas.

O documento criava restrições para pousos em Congonhas sob chuva e chegou a ser publicado no site da Anac.

Dias após a denúncia da magistrada, em depoimento à CPI do Apagão Aéreo do Senado, Denise disse que a publicação no site foi uma "falha da área de informática" da Anac. A suposta norma não tinha validade legal. O MPF então abriu inquérito em outubro deste ano para investigar o tema.

A ação

A procuradora da República Inês Virgínia Prado pede uma liminar --decisão urgente e temporária, até que seja analisado o mérito da questão-- para quebrar o sigilo bancário dos últimos dois anos dos dois ex-dirigentes e que os bens de Zuanazzi e Abreu fiquem indisponíveis. Na ação, a procuradora pede que os dois fiquem proibidos de estabelecer contrato com o poder público e tenham seus direitos políticos suspensos por dez anos.

O pedido de liminar cita ainda que a indisponibilidade de bens sirva para cobrir danos morais no equivalente a cem vez o valor que cada um recebia de salário, R$ 4.500 (Abreu) e R$ 4.800 (Zuanazzi).

Outro lado

O advogado de Denise Abreu, Araldo Dal Pozzo, afirmou, em nota, que não tinha conhecimento do conteúdo da ação do MPF.

Ele informou, entretanto, que sua cliente é inocente e que a inocência de Abreu será provada na Justiça, caso a ação seja aceita.

"Denise Abreu nunca cometeu qualquer ato de improbidade. Essa ação parece, de antemão, baseada em premissas equivocadas. Nossa confiança na Justiça é total e, durante o andamento processual legal, ficará comprovada a inocência de Denise Abreu em qualquer esfera judicial', informou o advogado, em nota.

A reportagem não conseguiu localizar Zuanazzi para comentar o assunto.

Comentários dos leitores
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
Valdir Antonelli (5) 11/07/2008 21h21
SAO PAULO / SP
Pelo jeito a empresa nunca mais vai poder montar stands, parquinhos ou fazer divulgação né? Me sensibilizo com as famílias que perderam alguém no voo, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Juro que quando li a manchete pensei que a TAM tivesse montado algo no local do acidente, mas depois que vi que era em um shopping achei absurdo os comentários e o tom da reportagem. 1 opinião
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Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
Marina Boschini (1) 11/07/2008 20h06
CAMPINAS / SP
Eu compreendo o sentimento dos familiares, mas devo discordar. Faz 3 anos que minha mãe faleceu, todos os dias sinto sua falta, mas em épocas como o dia das mães é ainda pior; deveria eu ficar indignada com todas as propagandas veiculadas perto da data? Não seria uma insensibilidade das empresas com todas as pessoas que perderam suas mães? Sinto muito, mas uma coisa não leva a outra. Por acaso, as famílias só se lembram de seus parentes em Julho? Faz parecer que se um parente das vítimas passasse perto desse parquinho em Outubro ele não se incomodaria. Lutem sim pelos seus direitos, mas com argumentos válidos. 2 opiniões
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Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
Claudio Koseki (1) 11/07/2008 18h28
OSASCO / SP
Me desculpe, não li todos os comentários, mas, realmente, o que uma coisa tem a ver com a outra?
Agora, por causa do acidente a TAM deve fechar as portas, colocar todos os colaboradores na rua, cair no ostracismo, não mais patrocinar eventos, enfim.
Estamos há menos de uma semana para que o acidente complete 1 ano, creio que haja uma certa, vamos dizer, apimentada na reportagem. É pertinente uma matéria deste tipo às vésperas deste acidente que chocou o Brasil.
Agora, leram a reportagem, sobre a "lajona" em CGH para o pátio VIP? http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u421333.shtml . Olha, de forma alguma provocando os familiares das vítimas do JJ3054, mas com todo o respeito, cadê a mesma energia para atacarem mais esta brilhante atuação do ministro Nelson Jobim?
Aliás, apenas por informação as mesmas pistas que os jatos do GTE (Grupo de Transporte Especial do qual o A319 presidencial faz parte) usam são as mesmas pistas das demais aeronaves e inclusive, se o Sr. Presidente está abordo de uma aeronave, o aeroporto tem suas operações comerciais suspensas temporariamente para que esta aeronave pouse ou decole.
Esta medida sim é uma provocação, não o Parquinho da TAM no Shopping.
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