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Cotidiano
21/12/2007 - 15h28

IBGE diz que população vai diminuir a partir de 2060

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CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A população brasileira vai começar a diminuir a partir de 2060, estimou nesta sexta-feira o presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eduardo Pereira Nunes. Segundo ele, o ritmo de crescimento da população vem se reduzindo ao longo dos anos, e essa tendência será mantida daqui para frente.

"O número de brasileiros está crescendo, mas a velocidade de crescimento é menor do que estávamos projetando. Até 2060, o Brasil continuará crescendo em termos absolutos, porém, com redução da fecundidade. A partir de 2060, população chegará a seu número máximo, em torno de 260 milhões de brasileiros, e começará a decrescer, mantidos os parâmetros atuais de fecundidade e de mortalidade", afirmou.

Na década de 90, o ritmo de crescimento da população era de 1,64%. A taxa atual é de 1,20%, abaixo dos 1,40% estimados anteriormente pelo IBGE.

Nunes ressaltou que a Contagem da População confirma a tendência de envelhecimento da população. Isso resultará, na visão do especialista, em implicações do ponto de vista do mercado de trabalho, da medicina e da Previdência. Ele observou que novas questões serão colocadas para as políticas públicas do Estado brasileiro.

"Por exemplo, na medicina, vai ser necessário cada vez mais termos clínicas geriátricas e não apenas as pediátricas, à medida em que o número de crianças a nascer vai diminuir, e o de idosos vai aumentar. A construção civil terá que construir imóveis levando em consideração a existência maior de idosos residindo dentro deles. O nosso sistema de transporte terá de ser mais acessível ao idoso, para dar conta dessa nova realidade etária da população brasileira", sugeriu.

A redução da taxa de fecundidade é um dos principais resultados da Contagem 2007, avaliou o presidente do IBGE. A taxa de fecundidade média do Brasil é de 1,99 filhos por mulher. Se esse indicador não tivesse sido reduzido, dos anos 70 para cá, a população atual já teria chegado aos 260 milhões de habitantes, previsto para 2060.

"Esta taxa de fecundidade vai determinar um perfil novo daqui para frente, que é população mais madura, mais envelhecida. Isso pode ser observado pela grande quantidade de idosos, inclusive com mais de 100 anos. Deve ser levado em conta que foram verificados apenas os municípios grandes e médios", observou Nunes.

A pesquisa foi feita em 5.435 cidades com até 170 mil habitantes, recenseando 108,7 milhões de pessoas. Esse número é equivalente a 60% da população estimada. Eduardo Nunes Pereira disse que o fato de as regiões mais populosas do país, situadas em 129 municípios (Rio e São Paulo inclusive), não terem sido incluídas na consulta, não afetam o resultado final relativo à contagem.

"Iríamos estimar o número do mesmo jeito", declarou.

O resultado da contagem ficou abaixo das expectativas do IBGE, que estimava, anteriormente, uma população total de 187 milhões de habitantes.

 

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