Número de guarda-vidas dobra na temporada
MARIANA CAMPOS
da Agência Folha, em Santos
O número de guarda-vidas na temporada de verão chega quase a dobrar. O efetivo permanente ganha reforço dos temporários, como o soldado Rafael Brito, 21.
Pela segunda vez ele vai trabalhar durante uma temporada de verão como guarda-vidas profissional do Salvamar Paulista, grupamento de bombeiros responsável pela segurança dos banhistas nas praias do Estado.
Antes de se tornar profissional, ele fez parte do grupo de guarda-vidas temporários que ajuda a dobrar o número de guarda-vidas no litoral de São Paulo durante o verão, quando é feita a operação Praia Segura.
Neste ano, 568 temporários vão auxiliar os 618 profissionais que atuam permanentemente no litoral. O efetivo ainda contará com o reforço de 35 bombeiros de outras regiões do Estado e 25 guarda-vidas municipais, somando 1.246 homens. A operação vai até março de 2008.
De acordo com o tenente-coronel Daniel Onias Nossa, comandante do 17º Grupamento de Bombeiros, a contratação de temporários é necessária porque o número de guarda-vidas fixos é insuficiente durante a temporada.
"O fixo é policial militar, tem um nível de responsabilidade maior e faz a supervisão dos outros. Ele é responsável pelo setor onde o temporário entra como auxiliar", afirmou Nossa.
Na prática, os temporários têm condições de fazer o mesmo atendimento que um profissional. Eles trabalham com rádios para pedir apoio, se necessário.
Na areia, o uniforme é diferente: enquanto o dos temporários é laranja, o dos profissionais é formado por calção vermelho e camiseta amarela.
Segundo o comandante, não é raro os temporários gostarem do serviço e tentarem se profissionalizar _como fez Brito, que conheceu a profissão em 2004.
Ao mesmo tempo em que trabalhava como temporário, prestou concurso para a Polícia Militar, fez um ano de curso e, desde novembro de 2006, trabalha como profissional no Guarujá (87 km da capital).
Os temporários passam por um treinamento feito pelo Corpo de Bombeiros, seleção e trabalham por três meses. A contratação é feita pelas prefeituras ou por meio do Instituto Mensageiros, uma organização não-governamental que recebe verba da Petrobras para a operação. Outras empresas ajudam oferecendo equipamentos, uniformes e protetor solar.
Atuação
O litoral paulista é dividido em setores onde trabalha um determinado número de guarda-vidas definido a partir do fluxo de pessoas. Todos os dias, eles fazem um mapeamento das praias e colocam placas de sinalização para orientar os banhistas sobre riscos de afogamento.
Segundo o comandante, a maioria das pessoas que morre afogada são homens com idade entre 15 e 25 anos, das classes econômicas D e E e que moram na Grande SP.
"Quando a água está acima da cintura, o mar leva a pessoa para onde ele quiser", afirmou o subcomandante do 17º GB, major Reynaldo Chagas.
Por isso, os bombeiros pedem para que os banhistas sigam as dicas de segurança como obedecer a sinalização e não mergulhar após refeições pesadas ou ingerir bebidas alcoólicas.
O álcool é um dos grandes problemas na temporada. Ao menos 47% dos casos de afogamentos registrados no ano passado estavam relacionados ao consumo de bebida alcoólica.
No ano passado, foram registradas 89 mortes por afogamento em praias de São Paulo. Destas, 77 ocorreram na região entre Bertioga e Peruíbe. Pelo menos desde 2003, a cidade com maior número de mortes é Praia Grande. Em 2006, 25 pessoas morreram afogadas em praias da cidade (28% do total).
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