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Cotidiano
26/12/2007 - 16h36

Distribuição de remédios no HC enfrenta problemas após incêndio

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GABRIELA MANZINI
da Folha Online

O serviço de farmácia do Prédio de Ambulatórios do HC (Hospital das Clínicas) de São Paulo opera com limitações nesta quarta-feira, primeiro dia útil após o incêndio que atingiu o imóvel anteontem (24), véspera de Natal. Segundo a direção do hospital, pacientes transplantados e que estão sem estoque são atendidos prontamente, mas aqueles que podem esperar têm o atendimento adiado para a semana que vem.

Na prática, porém, falta informação. O prejuízo foi da empregada doméstica Laurita Gomes da Silva, 49, que não conseguiu retirar quatro remédios para o filho de 17 anos, que sofre de epilepsia. Ela só terá os remédios no próximo dia 3. O problema é que ao menos um deles irá acabar antes disso. "Eu vou ter que comprar o que falta, porque ele não pode ficar sem. Tem um dos remédios que ele toma que custa mais de R$ 100. Esse eu não sei quanto é. Esse gasto me pegou de surpresa mas, se precisar, meus patrões dão uma força", disse.

Silva faz o percurso entre sua casa, na Vila Sônia, e o hospital uma vez por mês, há três anos. Ela disse que, diversas vezes, precisou ir a outros postos de saúde obter os remédios, porque o HC não tinha. "Quando eu chego na farmácia e vejo que não tem é um desespero. Chega a dar aquele bate no coração."

Já Fabiano Francisco Nunes, 26, que passou recentemente por um transplante de medula óssea, conseguiu retirar os dois remédios de que precisa e que, juntos, custam mais de R$ 300. Nunes, ainda de máscara protetora, conta que soube do incêndio pela TV e que chegou a temer pela continuidade do tratamento, mas que ainda ontem recebeu um telefonema do HC pedindo para atrasar a retirada dos medicamentos das 10h para as 14h, e se acalmou.

Não foi com a mesma tranqüilidade que Sabrina Vanessa Fola, 30, conseguiu os remédios de que precisa. Ela tem infarto nos ossos e toma medicamentos que somam cerca de R$ 20 mil por mês. Como não é transplantada, porém, ela foi orientada a retornar na próxima semana. Foi graças à pressão feita pelas pessoas que testemunharam o problema que ela foi atendida e deixou o hospital em sua cadeira de rodas, aliviada, com o saco de remédios nas mãos.

"O exame [de sangue agendado para hoje] eu sabia que não ia fazer, mas o medicamento eu achei que ia conseguir. Quando cheguei, eles estavam distribuindo só para os transplantados. Depois, com todo mundo aí, eles conseguiram para sete dias."

O diretor-executivo do Instituto Central do HC, Massayuki Yamamoto, afirmou em entrevista à imprensa que a farmácia depende do restabelecimento total do abastecimento de energia elétrica do prédio dos ambulatórios para retomar os trabalhos.

 

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