Pedreiro é preso por engano e passa o Natal na cadeia
SIMONE IGLESIAS
da Agência Folha, em Porto Alegre
O pedreiro Valdomiro Silva de Souza, 50, foi preso por engano na véspera de Natal. E passou o dia 25 longe da família, em Charqueadas (55 km de Porto Alegre).
Souza chegou à delegacia da cidade na segunda pela manhã, acompanhado do filho de 14 anos, para registrar um boletim de ocorrência em razão do furto da bicicleta do menino.
Quando apresentou a carteira de identidade, foi preso pelo delegado Pedro Urdangarin porque seu nome constava do banco de dados da polícia como foragido da Justiça de Carazinho (292 km da capital) por roubo e porte ilegal de arma.
Ele foi encaminhado à Colônia Penal de Charqueadas, onde ficou preso até quarta, quando os familiares conseguiram comprovar o engano.
Um dos filhos de Souza, Luís Cristiano, 27, também pedreiro, telefonou para a Susepe (Superintendência de Serviços Penitenciários) para saber o que estava acontecendo.
O órgão acabou pedindo um exame comparativo de digital ao Instituto Geral de Perícias, que constatou que as digitais de Souza não eram as mesmas da pessoa que estava foragida.
Segundo a assessoria da Susepe, as digitais são de João Vanderlei Silva de Souza, 42, irmão do pedreiro que foi preso por engano.
De acordo com a Susepe, João Vanderlei cumpre pena de três anos no presídio de Caxias do Sul. Segundo o delegado Urdangarin, ao ser detido em Carazinho, no ano passado, e antes de ser preso em Caxias do Sul, João Vanderlei estava sem documentos e falou o nome de seu irmão, o que causou todo o equívoco.
À Folha o pedreiro disse que não sabe como buscar algum tipo de reparo pelo erro da polícia, mas que conversará com um advogado.
"Graças a Deus agora está tudo bem, mas foi um erro brutal. Eu não entendo de lei, mas vou conversar com um advogado para saber se tenho como ganhar alguma coisa, pelo menos para passar o próximo Natal melhor", afirmou.
Souza disse que estava organizando um churrasco para a família que ocorreria na noite de segunda. "Fiquei sem o churrasco e ainda na cadeia."
O pedreiro afirmou ainda que não vê o irmão "há algum tempo" porque ele está preso, mas que os dois têm uma boa relação. "Quando ele deixar o presídio, vou xingá-lo por ter feito isso comigo."
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