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Cotidiano
30/12/2007 - 09h08

Piscinão de Ramos reabre e o comércio tenta se recuperar

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ANTÔNIO GOIS
da Folha de S.Paulo, no Rio

No verão carioca de 2002, só se falava no piscinão de Ramos. Inaugurado com pompa e circunstância pelo então governador --e presidenciável-- Anthony Garotinho, a praia artificial na zona norte do Rio atraiu holofotes e foi até cenário para a novela das oito.

Neste ano, o verão já começou, mas os moradores de Ramos só anteontem, após seis meses de fechamento, começaram a ver a cor da água.

Rafael Andrade /Folha Imagem
Locatário de um dos quiosques mais bem localizados do piscinão, João de Deus dos Santos, 47, teve prejuízo nos últimos seis meses
Locatário de um dos quiosques mais bem localizados do piscinão, João de Deus dos Santos, 47, teve prejuízo nos últimos seis meses

O motivo da demora na reabertura do lago foi a sua transferência da administração do Estado para a da prefeitura.

Muitos moradores e comerciantes não agüentavam mais esperar. "Faz seis meses que só tenho prejuízo. Tinha dias em que só apareciam três ou quatro fregueses. Atrasei o aluguel vários meses", reclama João de Deus dos Santos, 47, que aluga um dos quiosques mais bem localizados do piscinão.

A população das favelas ao redor também reclama do fechamento. "Em dias de sol, tinha que pegar o carro e levar as crianças para Copacabana. Mas é tudo muito mais caro por lá", diz Ailton Barreto, 28, morador da favela Roquete Pinto.

Sem carro e sem vontade de pegar um ônibus para ir à zona sul, Valéria de Souza, 39, não teve alternativa. "A gente acabava ficando em casa e não fazendo nada".

Abacaxi

Uma das primeiras decisões da secretaria estadual de Meio Ambiente na troca de governo foi passar adiante o que, para muitos, é considerado um abacaxi. O próprio governador Sérgio Cabral Filho, ao comentar a transferência de outro piscinão para a prefeitura de São Gonçalo, disse ter dado um "presente de grego", após o município ter reclamado do atraso de verbas que o Estado havia prometido.

"Não fazia sentido nenhum os piscinões [de Ramos e São Gonçalo] serem administrados pelo Estado e, muito menos, pela Secretaria de Meio Ambiente. Estávamos usando recursos de um fundo de recuperação ambiental para fazer a manutenção de um parque recreativo. Aquilo nos custava R$ 400 mil por mês, sendo R$ 250 mil só em Ramos", afirma Carlos Abenza, diretor de obras da Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas).

Foi justamente essa transição do Estado para a prefeitura, finalizada em agosto, que atrasou a manutenção do lago.

Limpeza

O piscinão é abastecido por 32 milhões de litros d'água --volume que tem que passar por um tratamento químico, uma vez que sua origem é a poluída baía de Guanabara.

"Quando chega maio e junho, o piscinão é sempre fechado para manutenção. Como passamos para o município a administração e não sabíamos se eles iam continuar com a mesma empresa que faz o tratamento da água, não fizemos a limpeza", diz Abenza.

Hudson Magalhães, nomeado administrador do local pela prefeitura, reclama das condições em que o município recebeu o piscinão. "Estava tudo quebrado e abandonado."

A Secretaria Municipal de Obras diz que foi preciso fazer reparos e desinfetar a areia para a piscina voltar a receber, nos finais de semana com sol a pino, até 60 mil banhistas.

 

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