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Cotidiano
07/01/2008 - 18h31

Promotor que matou motoqueiro é investigado por porte ilegal de arma

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RENATO SANTIAGO
da Folha Online

O ministério Público de São Paulo investiga o promotor Pedro Baracat Guimarães Pereira, 42, por porte ilegal de arma. Pereira matou com uma pistola 9 mm, na noite do último sábado, o motoqueiro Firmino Barbosa, 30, no Ibirapuera, bairro nobre da zona sul de São Paulo. Segundo a versão do promotor à polícia, Barbosa o abordou e pediu que ele entregasse o relógio.

O procurador-geral do Ministério Público de São Paulo, Rodrigo Pinho, afirma que a arma que estava com o promotor era uma 9 mm, de uso restrito das Forças Armadas. Pela lei, os promotores podem portar armas, mas apenas as permitidas também aos cidadãos comuns.

Pinho, no entanto, é cauteloso ao falar de possíveis punições em relação ao porte da arma. "Vamos esperar o laudo da perícia para confirmar com certeza [o calibre]", afirmou na tarde desta segunda-feira.

O procurador-geral revelou também que a arma que ele usava não estava em seu nome. O nome do proprietário da pistola não foi revelado pelo procurador.

As investigações são conduzidas pelo promotor Hermann Herschander, assessor de Pinho, o mesmo que investigou o o caso do promotor Wagner Grossi, que atropelou embriagado três pessoas da mesma família, em outubro, em uma rodovia de Araçatuba (530 km a noroeste de São Paulo).

Até a tarde de hoje, três pessoas já haviam sido ouvidos: duas policiais militares que foram ao local logo após o assassinato de Barbosa e a promotora de Justiça Regiane Zampar, que acompanhava Pereira.

Outra testemunha importante do caso é o corregedor-geral do Ministério Público paulista (responsável por fiscalizar a conduta dos promotores), Antônio de Pádua Bertone, que coincidentemente, segundo Pinho, passava pelo local na hora dos disparos. Segundo o procurador-geral, Bertone só soube que um de seus colegas estava envolvido no caso hoje.

Segundo Pinho, as três testemunhas corroboraram em parte a versão de Pereira. "Disseram que o motoqueiro realmente pediu para ele dar o relógio 'na moral'; mas não puderam dar mais detalhes", afirmou o procurador.

Afastamento

Por causa do envolvimento na morte de Barbosa, o promotor Pereira foi afastado de sua funções no Gecep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), onde estava lotado desde o fim do ano passado, e assumiu novamente suas funções em uma das varas criminais de São Paulo.

 

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