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Cotidiano
09/01/2008 - 10h08

"Nunca perdi a esperança", diz presidente do Masp sobre obras

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AFRA BALAZINA
TEREZA NOVAES
da Folha de S.Paulo

Presente à apresentação dos quadros de Portinari e de Picasso na noite de terça-feira (9) na sede do Deic, o presidente do Masp, o arquiteto Julio Neves, afirmou que nunca havia perdido a esperança de recuperar as obras. Furtados no dia 20 de dezembro, os quadros foram recuperados ontem na Grande São Paulo.

"Essa é a maior comemoração que tivemos nestes 60 anos [do museu] e é uma vitória do brilhante e competente trabalho da polícia", disse.

Embora as obras ainda tenham de passar por uma análise para saber se sofreram avarias, Neves prometeu aos jornalistas que elas já voltarão a ser expostas na reabertura do museu, prevista para a sexta-feira. "Posso levar as obras?", perguntou Neves aos policiais. A resposta foi positiva. A entrega oficial será feita na manhã de hoje.

Para Neves, o episódio serviu de "lição" para todos os museus do país sobre a necessidade de se equiparem melhor. Ele admite que só reforçou a segurança do acervo após o furto. "Algumas empresas estão nos ajudando a recolocar o sistema de segurança em ordem".

A primeira preocupação de João Candido Portinari, filho do pintor que zela por seu legado, foi o estado de "O Lavrador de Café". "Tirei um peso enorme que estava carregando desde o furto. Agora precisamos saber se ela está em boas condições e quando vai voltar ao acesso público", disse.

O quadro era exibido em um ambiente controlado e pode ter sofrido com diferenças de temperatura, umidade e luz.

João Candido assinou o abaixo-assinado, criado pelo ex-curador do museu Luiz Marques, que pede intervenção do Estado no Masp. "Sei que as instituições no Brasil não têm recursos, vivem à míngua, mas o privado demonstra que não pode gerir seu patrimônio."

Gestão

O furto serviu para ampliar o debate sobre a necessidade de mudar a gestão do Masp.

Horas antes de a polícia anunciar a recuperação das telas, o secretário-adjunto municipal da Cultura, José Roberto Sadek, disse que, na negociação para renovar a cessão do prédio na avenida Paulista, a prefeitura solicitará participação na gestão. A concessão do edifício, projetado por Lina Bo Bardi, vence em novembro.

Sadek defende que o estatuto do Masp seja modernizado para que o poder público integre a gestão. O museu é gerido por uma sociedade privada, mas o acervo --avaliado em R$ 1 bilhão-- é tombado pelo Estado.

Segundo ele, as maiores subvenções anuais da pasta são para o Masp, a Bienal e o Museu Afro. O Masp é o único que não apresenta plano de trabalho --que deve ser informado antes do repasse. Em 2007, a secretaria concedeu subvenção de R$ 1,2 milhão; neste ano, a previsão é de R$ 1,2 milhão.

O governo federal também quer participar da gestão do Masp. Segundo José do Nascimento Júnior, diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do Iphan, a União propõe, desde 2004, integrar a gestão, mas o museu ainda não deu resposta.

O Masp negou que o governo federal tenha feito uma proposta formal. "Existem conversações nos três níveis de governo [federal, estadual e municipal", afirmou o assessor de comunicação Paulo Alves. "Há interesse na participação mais efetiva das três esferas."

Com colaboração de Ricardo Viel, da Folha de S.Paulo

Comentários dos leitores
Henry Reic Reic (1) 24/06/2008 11h07
Henry Reic Reic (1) 24/06/2008 11h07
Lei de Transito x Álcool
Á lei e inconstitucional, não deveria ser aprovada, mais uma vez o cidadão vai pagar á conta.
Henry.
sem opinião
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Alex aparecido hermini (23) 12/06/2008 18h29
Alex aparecido hermini (23) 12/06/2008 18h29
No furto do Masp ano passado foi publicada nesse mesmo veículo reportagem com título semelhante: Furto de obras expõe fragilidade de segurança.
Enfim, temos um pouco mais do mesmo.
Volto a enfatizar que a Imprensa Nacional é suave demais com certos políticos que administram nosso triste, pegagiado e inseguro Estado de São Paulo.
Estou esperando sair uma matéria sobre o salário que se paga a um policial militar, a um Delegado de Polícia Civil em São Paulo e quanto se paga em outros Estados.
A Imprensa tem uma imensa parcela de responsabilidade nesse descaso.
1 opinião
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Parece que o crime está em plena expansão no Brasil. A cada dia vemos um novo tipo de roubo, inesperado e inédito. O roubo de obras de arte começõu a se expandir. Os seguidores dos exemplos de Steve McQueen e Pierce Brosnan estão aumentando, promovendo o país ao primeiro mundo da sofisticação criminosa. Parece que não é bem nessa promoção que o governo estava pensando! 4 opiniões
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