Promotores investigam se negligência causou desabamento de estação do metrô
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
Atualizado às 20h43
Quase um ano após a queda do canteiro de obras e a abertura da cratera que matou sete pessoas nas obras da estação Pinheiros do metrô de São Paulo, os dois promotores do Ministério Público que investigam o caso ainda não têm culpados, conclusões e nem os laudos sobre o caso.
Arnaldo Hossepian, promotor criminal, e Carlos Amin Filho, da Promotoria de Habitação e Urbanismo trabalham principalmente com a possibilidade de omissão no caso. Segundo eles, as obras não tinham plano de contingenciamento de riscos para o entorno da área nem um sistema eficiente de evacuação do canteiro.
"Até o presente momento, não há notícia de que houvesse sido implementado um plano de contingenciamento de risco do entorno", afirmou o promotor Hossepian nesta quinta-feira. "É quase impossível que alguém não seja responsabilizado [pelo acidente]."
O acidente aconteceu no dia 12 de janeiro do ano passado. Nenhuma das vítimas do acidente estava no túnel que era escavado: morreram três pessoas quem iam a pé para a estação de trem, duas que estavam em uma lotação engolida pelo buraco, um office-boy que circulava pela região realizando serviços bancários e um motorista de caminhão que estava na superfície do canteiro.
Segundo Amin Filho, o plano de contingenciamento de riscos só foi adotado em todas as áreas de obras da linha 4-amarela do metrô depois do acidente.
Já foram ouvidos 56 depoimentos. A única certeza que o promotor afirma ter é das condições das obras na semana anterior do acidente que culminou com a determinação do reforço das paredes do túnel. "Nós já sabemos que houve uma instabilidade e que na véspera do acidente, uma reunião discutiu o assunto", diz.
"Aquela movimentação que levou à reunião foi uma reunião corriqueira? Era razoável continuar as obras? É isso que investigamos", afirma Hossepian.
Os laudos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e do IC (Instituto de Criminalística) são considerados as peças mais importantes para a conclusão do inquérito, mas só devem ficar prontos, respectivamente, em 20 de abril e em agosto de 2008.
Comunicação
Os promotores também avaliam se a melhor comunicação entre os responsáveis pela obra poderia ter evitada a tragédia.
Segundo Hossepian, o primeiro mestre-de-obras avisado pelos trabalhadores que "havia algo errado" demorou 4 minutos e 45 segundos para ir da rua Ferreira de Araújo ao local do acidente. Hossepian avalia se, caso houvesse comunicação em tempo real entre os responsáveis pela obra, o entorno pudesse ter sido fechado e mortes pudessem ter sido evitadas.
Outro lado
Por meio de nota, o Consórcio Via Amarela informou que há um plano de ação de emergências desde o início do contrato. A documentação sobre o plano foi enviada ao IPT no dia 3 de abril de 2007, como parte da documentação exigida nas investigações do Ministério Público.
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