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17/01/2008 - 08h50

Laudo confirma agressão a jovem em festa em Recife

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RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

O adolescente de 13 anos que, segundo a família, foi espancado por policiais militares em uma festa de pré-Carnaval em Recife (PE), no último domingo, morreu por asfixia.

O laudo oficial do IML (Instituto Médico Legal), divulgado ontem, revelou também que Denis Henrique Francisco dos Santos foi vítima de lesões e traumas em todo o corpo.

O delegado Bruno Chacon, da Divisão de Homicídios da Gerência de Polícia da Criança e do Adolescente, diz, porém, que só com a conclusão do inquérito será possível saber se a vítima morreu devido aos golpes dos policiais ou se ele se sufocou com o próprio vômito, após ser jogado ao chão.

"Só sabemos que um adolescente foi assassinado, mas se o homicídio foi doloso ou culposo, só após a investigação", afirmou o delegado.

A família do garoto denunciou o caso à Corregedoria Geral da Secretaria da Defesa Social. Parentes dizem que ele foi agredido por sete PMs durante a festa do bloco Forte Folia, no bairro do Cordeiro, com golpes de cassetete e empurrões.

A irmã da vítima, Ana Cláudia Santos, 23, que estava com o jovem na festa, disse em depoimento à polícia que os policiais do 13º Batalhão da PM tentavam conter uma briga quando começaram a bater e agredir o adolescente, apesar de ele não fazer parte da confusão.

Segundo a irmã, o menino dizia aos policiais que não estava participando na briga. Ele morreu antes de receber atendimento médico.

O corregedor-auxiliar Geraldo José da Silva afirmou que testemunhas começaram o processo de reconhecimento dos autores das agressões por meio de fotos dos policiais que trabalharam no dia da festa.

Silva disse ainda que solicitou à produção da festa um vídeo, realizado por um cinegrafista amador do alto de um trio elétrico, que mostra imagens de policiais praticando abusos durante o evento.

"O vídeo pode facilitar a identificação de alguns dos agressores", disse Silva.

Os familiares do garoto disseram que ele cursava o 3º ano do ensino fundamental e ajudava nas despesas da casa, lavando carros em um posto.

Dos 72 homens destacados pela PM para realizar a segurança do evento no último domingo, 52 eram alunos do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças. Segundo a corporação, a atuação dos policiais em eventos é uma espécie de estágio para o ingresso na carreira. Na ocasião, eles vestiam fardas iguais às dos policiais e portavam cassetetes.

Segundo a PM, se os policiais forem considerados culpados, eles podem responder a inquérito policial e serem impedidos de entrar na corporação.

A Polícia Militar informou ainda que instaurou procedimento administrativo para apurar a ação dos policiais no evento e trabalha na identificação dos suspeitos.

Em nota, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco, Jayme Asfora, disse que vai requerer ao Ministério Público Estadual a convocação do Comando da PM para que seja assinado um Termo de Ajustamento de Conduta com o objetivo de evitar a ocorrência de abusos durante o Carnaval deste ano.

 

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