Temporão descarta reajuste da tabela do SUS em 2008
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, descartou nesta quinta-feira a possibilidade de reajustar a tabela de procedimentos do SUS (Sistema Único da Saúde). O aumento foi prometido em setembro do ano passado. No entanto, sem os recursos da CPMF --o imposto do cheque--, ele afirmou que isso será impossível.
"Nós vamos ter que nos debruçar sobre os números, mas o cenário que o ministro [Guido] Mantega me deu é ruim. (...) Não haverá reajuste para a tabela de procedimentos", afirmou Temporão após audiência com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Segundo ele, o reajuste da tabela do SUS e o aumento do teto de repasse da União aos Estados iria implicar em uma despesa de cerca de R$ 1,5 bilhão.
Ele lembrou ainda que com o fim da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o chamado "PAC da Saúde" será prejudicado. Na avaliação do ministro, o Congresso Nacional precisa assumir as conseqüências da redução de R$ 4 bilhões dos recursos destinados à saúde.
"Acho que o Congresso tem sim que assumir o ônus de ter criado um problema para o financiamento da saúde."
Segundo ele, com os R$ 40 bilhões a menos --arrecadação prevista do "imposto do cheque" para esse ano--, não é possível ficar sem cortes.
Temporão disse ainda que vê com "bons olhos" a possibilidade de os parlamentares criarem uma nova CPMF para destinar recursos ao setor.
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