Cotidiano
20/01/2008 - 23h24

Familiares de vítimas do vôo 3054 realizam protestos em São Paulo

da Folha Online

Parentes de vítimas do vôo JJ-3054 da TAM realizaram manifestações no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) neste domingo.

Por volta das 16h, cerca de 200 parentes das vítimas realizaram uma caminhada e entregaram um manifesto aos passageiros que aguardavam para embarcar nos vôos a respeito do ato. Depois, eles foram até o check-in da TAM.

Eles permaneceram no terminal por volta de meia-hora e seguiram para o terreno da TAM Express, localizado na avenida Washington Luís, em frente ao aeroporto.

Os familiares deixaram rosas no local da tragédia e grafitaram os tapumes com inscritos como "verdade e justiça" e "abaixo ao lucro acima de tudo".

Segundo o presidente da AfavTAM (Associação das Famílias e Amigos das Vítimas do Vôo JJ-3054 da TAM), Dario Scott, o protesto foi realizado para marcar os seis meses da tragédia --completados na quinta-feira (17).

"A mobilização buscou informar que mais do que atrasos e cancelamentos é importante o sistema [aéreo] transmitir segurança aos passageiros", afirmou.

Entre as atribuições da entidade está a de realizar reuniões mensais para acompanhar o andamento das investigações, indenizações e o que teria provocado o acidente.

Em 17 de julho de 2007 o Airbus-A320 da TAM pousou no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), mas não conseguiu parar, atravessou a pista e bateu em um prédio também da TAM Express. O choque provocou um incêndio de grandes proporções e 199 pessoas foram mortas em conseqüência do acidente.

Reuniões

Os parentes das vítimas estavam reunidos desde sábado (19) em um hotel da zona sul de São Paulo. Ontem, eles estiveram com o diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), Aldo Galiano Júnior, e com o secretário da Justiça, Luiz Antônio Marrey.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os dois esclareceram a respeito de eventuais dúvidas dos familiares sobre o inquérito que corre no 27º Distrito Policial (Campo Belo).

O inquérito deverá ser concluído em maio deste ano, segundo o diretor do Decap. Até hoje, 298 pessoas já foram ouvidas.

Ainda ontem eles se reuniram com representantes do Ministério Público e da Defensoria Pública.

Neste domingo, os familiares ouviram representantes de escritórios internacionais de advocacia. Eles conheceram detalhes do funcionamento dos trâmites de processos fora do Brasil.

Segundo Scott, algumas famílias já movem processos contra as empresas envolvidas fora do Brasil.

Presidente

Ainda no sábado, os familiares também tiveram uma reunião com presidente da TAM, David Barioni. Scott afirmou que Barioni havia sido convidado e informou que não iria. Barioni foi até o hotel no momento que parentes discutiam detalhes da manifestação que foi realizada hoje.

O presidente da TAM chegou por volta das 18h30 e permaneceu durante duas horas.

Segundo Scott, essa foi a primeira vez desde que o novo presidente assumiu o comando da TAM, em novembro, que se reúnem com os parentes das vitimas. "Resolvemos dar um voto de confiança", afirmou o presidente da entidade.

O presidente da associação afirmou que entre os pontos discutidos com o presidente da empresa estavam a criação de uma câmara de conciliação para negociar os valores de indenização a serem pagas e criação de uma ouvidoria para melhor acesso dos pedidos dos parentes à empresa.

"Se me derem a TAM inteira não irá substituir a minha filha", disse Scott.

Memorial

Segundo Scott, nas conversas que teve com os familiares, Barioni também se comprometeu a interceder para que o terreno que abrigava o prédio da TAM Express receba um memorial em homenagem às vítimas.

Em 2007, a Prefeitura de São Paulo anunciou que pretendia construir uma praça de 8.500 metros quadrados em homenagem às vítimas do acidente no local. O projeto da praça dos Ipês Amarelos seria assinado pelo arquiteto Marcos Cartum e tinha inauguração prevista para 2008.

Segundo Scott, a melhor destinação é um memorial. O local, segundo ele, serviria de memória às vítimas. "Precisamos inclusive lembrar que quatro vítimas não foram reconhecidas", diz.

 

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