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Cotidiano
22/01/2008 - 22h33

Promotores da Bahia querem impedir Rei Momo de 58 kg

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LUIZ FRANCISCO
da Agência Folha, em Salvador

O Ministério Público da Bahia entrou com uma ação civil pública pedindo a anulação do concurso que elegeu o comerciante Clarindo Silva, 65, o Rei Momo do Carnaval de Salvador (BA). Na ação, os promotores Luciano Santana e Célia Boaventura afirmam que a escolha de Silva, de 58 kg, foi feita na "contramão da moralidade e da legalidade" e pedem que a vaga seja destinada a um dos "candidatos gordos" inscritos.

Caso a liminar seja concedida, os responsáveis pela festa deverão organizar um novo concurso no prazo de até 48 horas antes da abertura oficial do Carnaval. Na ação, os promotores dizem que, há mais de meio século, o Rei Momo compõe o patrimônio cultural imaterial de Salvador.

Todos os concorrentes de Silva fizeram um "regime de engorda" para atingir 120 kg. Segundo os promotores, somente uma lei, editada mediante processos legislativos constitucionalmente previstos, com a participação da sociedade, poderia autorizar uma mudança de caracterização da figura do personagem principal do Carnaval.

Para instruir o processo, os promotores de Justiça ouviram os professores da UFBa (Universidade Federal da Bahia) Roberto Albergaria de Oliveira e Paulo Cézar Miguez de Oliveira, que "demonstraram a evidência da figura tradicional do Rei Momo gordo como patrimônio cultural imaterial do município de Salvador e seu absurdo vilipêndio, promovido pela Federação dos Clubes Carnavalescos, ante o qual se mantiveram omissos o município, a Emtursa [empresa oficial de turismo da prefeitura] e o Conselho Municipal do Carnaval".

A prefeitura, a Emtursa e o conselho informaram que somente se pronunciarão sobre a ação após serem notificados pela Justiça. Silva não foi localizado pela reportagem.

 

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