Cotidiano
25/01/2008 - 08h00

Mercadão faz 75 anos e ganha projeto de Lei Cidade Limpa

CAROLINA FARIAS
da Folha Online

O Mercado Municipal Paulistano também faz aniversário nesta sexta-feira, mas, mesmo com 75 anos, o Mercadão --como é mais conhecido-- tenta se rejuvenescer. A cada ano, um dos símbolos mais conhecidos da cidade passa por processos de modernização. Em 2008, a Lei Cidade Limpa será implantada no mercadão, devidamente adaptada para seus boxes. Além disso, permissionários e empregados das bancas continuarão a passar por processos de reciclagem para melhor atenderem ao público.

Apu Gomes/Folha Imagem
Queima de fogos no Mercado Municipal de São Paulo, em comemoração ao aniversário de 454 anos da cidade
Queima de fogos no Mercado Municipal de São Paulo, em comemoração ao aniversário de 454 anos da cidade

O prédio do Mercadão foi inaugurado no dia 25 de janeiro de 1933, após quatro anos de obras para a construção e um ano de espera pelo fim da Revolução Constitucionalista, já que o prédio foi usado como depósito de armas e abrigo para os constitucionalistas.

Veja o especial dos 75 anos do Mercadão

Porém, para acompanhar o dinamismo de São Paulo e garantir a sobrevivência do Mercadão, o setor de Abastecimento da Secretaria das Subprefeituras aprovou no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo) um conjunto de normas para as reformas dos boxes.

Depois de um ano e meio de trabalho, juntamente com representantes dos comerciantes e técnicos da prefeitura e do próprio Condephaat, o setor conseguiu aprovar o conjunto de diretrizes para futuras reformas dos boxes, respeitando a arquitetura do prédio e também as normas sanitárias. Três estabelecimentos já realizaram mudanças de acordo com os itens do projeto, entre eles, o de adequação à Lei Cidade Limpa.

"A fachada dos boxes é toda poluída de marcas comerciais. Agora as novas fachadas são limpas, não tem nenhuma marca comercial, só tem o nome da loja. Ficaram lindos [os boxes reformados] e deflagrou um grande movimento de donos de boxes para fazer a reforma", disse José Roberto Graziano, supervisor geral de Abastecimento.

Segundo Graziano, o conjunto de normas ainda será publicado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico), órgão pelo qual o Mercadão também é tombado, antes de se tornar obrigatório aos donos dos boxes.

"Você tem de preservar o prédio, a história. Mas vocês tem de contar isso também contando com a modernidade, com um ambiente estritamente higiênico. Então normatizamos materiais, construção e uma série de procedimentos", afirmou Graziano.

Entre os itens do projeto de normas estão os tipos de materiais, mecanismos construtivos --como a limitação das obras em alvenaria--, cores a serem usadas nos boxes, entre outros.

O plano de normas ainda não prevê a obrigatoriedade da reforma dos boxes, segundo Graziano. Mas alguns pontos, como a Lei Cidade Limpa e a troca de lonas por portas de aço terão um prazo estipulado para a adequação, a partir da data da publicação pelo Conpresp.

O supervisor disse acreditar que os comerciantes devem se adequar já nos próximos anos. "Não dá para o comerciante passar cinco anos sem reformar a loja porque o estabelecimento comercial envelhece muito rápido. E envelhece também a proposta de trabalho, de atendimento, o visual. Então, quando ele for reformar já faz a obra pesada", disse Graziano.

Reciclagem

Desde março de 2007, a administração do Mercadão implantou cursos de reciclagem para os funcionários dos boxes. A idéia é aprimorar o atendimento aos clientes, levando aos empregados das bancas e até aos permissionários mais conhecimento sobre os produtos que comercializam.

Parcerias com empresas fornecedoras dos gêneros alimentícios --de bacalhau ao chope-- garantiram cursos gratuitos sobre os produtos. Os funcionários aprendem mais sobre o gênero que comercializam para passar isso aos clientes.

Há também cursos ministrados por especialista em legislação do consumidor, normas sanitárias e condições de trabalho. Os cursos acontecem a cada 90 dias, segundo o administrador do Mercadão.

"É um novo conceito, de visual e de atendimento, que vai revolucionar o Mercado. Apesar de ter 75 anos, o Mercadão está cada ano mais jovem, pela postura dos permissionários, pelos produtos, pelos novos tipos de comércio que abrem a cada ano", afirmou Graziano.

 

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