Dupla é presa tentando vender vacina contra febre amarela em GO
TALITA BEDINELLI
da Agência Folha
Uma funcionária da Prefeitura de Goiânia (GO) e o marido dela foram presos ontem após terem furtado vacinas contra febre amarela de um posto de saúde e vendido as doses em empresas. Por cada dose da vacina, que é gratuita, eles cobravam R$ 10, de acordo com a Polícia Civil.
Avanilda Nunes da Silva, 31, trabalhava como auxiliar de enfermagem na Unidade de Atenção Básica da Saúde da Família, no bairro Recanto do Bosque. Ela foi presa ontem, por volta das 18h, com 36 doses da vacina e igual quantidade de agulhas, seringas e cartões de vacinação em branco.
Segundo a delegada do Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) de Goiás, Renata Scheim, o material foi retirado do posto de saúde. A funcionária foi autuada por peculato e concussão (furto e extorsão feitos por funcionários públicos, respectivamente).
Ainda segundo a delegada, o marido da funcionária, Itair Nogueira de Souza, 36, era responsável por intermediar a venda das vacinas. Ele entrava em contato com as empresas e cobrava o dinheiro. Ele também foi preso e autuado por concussão _apesar de não ser funcionário público, Souza também responderá pelo crime porque usou da condição da mulher para obter vantagem, segundo a polícia.
O esquema do casal funcionava há cerca de um mês, estima Scheim. De acordo com ela, o procedimento já havia sido realizado três vezes.
"Avanilda retirava sempre uma quantidade muito grande de doses porque aplicava as vacinas em empresas", diz a delegada. Ela estima que a funcionária tenha furtado cem doses.
Em depoimento, diz Scheim, a auxiliar de enfermagem confessou o crime e afirmou que há outras pessoas na cidade fazendo o mesmo. Os preços, de acordo com a funcionária, chegam a R$ 50 por unidade.
Denúncia
A polícia chegou ao casal após uma denúncia feita pela Secretaria da Saúde de Goiânia.
O secretário municipal da Saúde, Paulo Rassi, conta que, na última sexta, a secretaria recebeu informações anônimas sobre o esquema. "Como isso é um caso de polícia, encaminhamos a denúncia e ficamos monitorando de longe."
Ele diz que não existem casos parecidos sendo investigados e que não entende porque as pessoas compravam vacinas, se elas são gratuitas nos postos.
"Nossa preocupação é com as pessoas que foram vacinadas. Pelo que vimos, o armazenamento e o transporte das vacinas eram feitos de forma errada. Não sabemos se elas terão validade", afirma o secretário.
De 18 de dezembro até hoje, 700 mil pessoas foram vacinadas em Goiânia, segundo o secretário. No posto de saúde onde a mulher trabalhava faltou vacina hoje.
A reportagem não conseguiu localizar o advogado do casal. A polícia não soube informar quem era o defensor.
Leia mais
- Vigilância Sanitária interdita Hospital de Banco de Olhos de Porto Alegre
- Saúde confirma nona morte por febre amarela
- Um quinto dos postos aplicam vacina contra febre amarela em SP
- Livros desmitificam doenças e trazem informações sobre a medicina
Especial


