Pesquisadora reúne dados dos primeiros imigrantes okinawanos
GABRIELA MANZINI
da Folha Online
Há cem anos, 781 japoneses enfrentaram uma viagem de mais de 50 dias para o Brasil a bordo do navio Kasato Maru. Em todo o país, multiplicam-se os eventos em homenagem à data --só em São Paulo, serão mais de 400. Mas para a pesquisadora Sonoko Akamine, 67, nenhum deles é suficiente. O modo que ela escolheu de homenagear os pioneiros é recolher documentação de suas datas e locais de morte para construir um memorial.
Nos últimos meses, Akamine percorreu diversos bairros da cidade de São Paulo, onde mora, e também cidades mais distantes, como Campo Grande (MS), em busca de descendentes e de amigos dos 325 okinawanos que estavam no navio. Nascida em Okinawa, ela sonha com um memorial para os conterrâneos.
O trabalho é duro. Primeiro ela deve encontrar quem tenha notícias dos imigrantes. Depois, precisa driblar o português truncado para solicitar a cartórios cópias das certidões de óbito. "Mas é realizador. Conforme os descendentes procuram registros de seus avós e bisavós, me emociono junto, choro junto, agradeço junto."
No ano passado, a pesquisadora foi a Okinawa recuperar a lista de pessoas que embarcaram no navio. O problema é que os nomes escritos em kanji tinham três pronúncias. Não bastasse cada imigrante escolher sua preferida na hora de desembarcar, os funcionários da alfândega brasileira não falavam japonês e escreviam os nomes em alfabeto românico da maneira que entendiam. O resultado foi uma série de registros errados.
Há ainda casos de imigrantes que morreram antes de ter filhos e que foram enterrados em local desconhecido até da família, como indigentes. "Para os japoneses, o pós-morte é muito importante, porque corpo e alma são uma coisa só. Para se ter uma idéia, os primogênitos devem fazer missas pelos antepassados ao menos 33 anos após a morte deles."
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