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Cotidiano
28/01/2008 - 22h40

Arquidiocese em PE ataca Temporão sobre distribuição da pílula do dia seguinte

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha

O arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, atacou nesta segunda-feira o ministro José Gomes Temporão (Saúde) ao dizer que "quem está fazendo mal para os jovens é quem está difundindo o mal, induzindo os jovens a praticar sexo à vontade, gastando dinheiro para eles usarem camisinha".

A declaração foi dada em resposta às críticas feitas no domingo (27) pelo ministro à tentativa da Igreja de impedir as prefeituras de Recife, de Paulista e agora também de Olinda, em Pernambuco, de distribuir a pílula do dia seguinte durante o Carnaval.

A arquidiocese entrou hoje com uma representação no Ministério Público Estadual, solicitando que o órgão encaminhe à Justiça, "em caráter emergencial", ação para que a entrega do medicamento pelo sistema público de saúde do Estado seja suspensa em todas as épocas do ano, e não apenas no Carnaval.

O pedido, assinado pela Pastoral da Saúde, tem como fundamentos principais a "lei de Deus, que está acima de qualquer lei humana", e os supostos efeitos abortivos da pílula. O Ministério Público não tem prazo para se manifestar.

"Nós, pastores da Igreja Católica, temos a obrigação de proclamar a lei de Deus", disse dom José. "O que o governo está gastando, começando lá na Presidência, poderia ser usado para alimentar os pobres das favelas", afirmou. "Na nossa leitura, estão violando um direito fundamental dos neonascidos e induzindo o povo a praticar o mal."

O arcebispo rebateu a declaração do ministro de que "a Igreja cada vez mais se afasta dos jovens com esse tipo de postura". "Quem faz o mal para os jovens é quem está difundindo o mal, induzindo os jovens a praticar sexo à vontade, gastando dinheiro para eles usarem camisinha e etc, violando a lei de Deus."

"Eles é que estão corrompendo a juventude", disse o religioso. "É exatamente o contrário."
O religioso rebateu também a afirmação de Temporão de que o uso do anticoncepcional de emergência "é uma questão de saúde pública", e não religiosa. "Eu discordo 100% dele. Eu digo a ele que qualquer problema humano é também um problema religioso", afirmou.

As prefeituras de Recife, Olinda e Paulista pretendem distribuir gratuitamente a pílula do dia seguinte em postos montados em locais de grande movimentação de foliões.

Para ter acesso ao medicamento, a mulher deverá relatar ao médico plantonista que manteve relação sexual sem proteção, que o método tradicional de anticoncepção usado por ela falhou ou que foi vítima de violência sexual.

Comentários dos leitores
alberto r pessanha pessanha (5) 08/02/2008 10h10
alberto r pessanha pessanha (5) 08/02/2008 10h10
NOVA FRIBURGO / RJ
hoje tudo pode ,fico indignado com nossas altoridades.brincar com armas não pode ,ver filmes violentos tambem não . mas nossos adolescentes tem carta branca para se prostituir .só falta agora ele da entrada gratis para motel . 6 opiniões
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Leonardo S. (101) 07/02/2008 18h20
Leonardo S. (101) 07/02/2008 18h20
Parabéns ao ministro Temporão pela coragem. Este é um dos poucos que merecem aplausos no governo Lula.
Se a igreja católica é contra a camisinha, o aborto e os anticoncepcionais, que pregue isso na igreja e pare de encher o saco.
Acho que devemos mandar todos os recem-nascidos abandonados em latas de lixo, terrenos baldios, lagoas, e etc. para a igreja cuidar. Nesses casos eu nunca vi a igreja se manifestar, mas para proibir a distribuição de anticoncepcionais ela fica esperneando.
O Brasil deve implantar urgentemente a esterilização compulsória para mulheres que dão a luz ao 2o. filho na rede publica de saude.
Mutirao de vasectomia já!
Legalização do aborto até um certo periodo do inicio da gravidez.
No mundo utopico, nao precisaria nem de leis. Se todos tivessem boas práticas de convivencia em sociedade, nao seria necessario ter leis que dizem que nao se pode roubar, matar, beber e dirigir e etc. O problema é que como nem todos cumprem essas normas, sao necessarias sanções as pessoas de violam as regras.
A gravidez é a mesma coisa. No mundo utopico seria otimo se todos planejassem a gravidez e tivessem condicoes de cuidar e dar educacao a crianca. Mas como nem sempre isso acontece, temos que ter metodos de limitar as barbaridades. Temos que por numa balança: O que é melhor? Abortar uma gravidez ou deixar recem-nascidos abandonados na rua, criancas cheirando cola, trabalhando em carvoarias, dormindo na rua, revirando lixo, etc...
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João Marino Delize (251) 07/02/2008 11h17
João Marino Delize (251) 07/02/2008 11h17
O Estado não tem nenhuma religião, portanto não deve atender esta ou aquela crença. Ja pensaram quanto custa uma funcionária grávida para a Nação:
- são quatro meses de afastamento pago pelo INSS, além do salário maternidade e, quem paga esta conta é o povo. Se a funcionária for casada tudo bem. Se escolher ter filhos tudo bem, mas se não quizer ficar grávida e ainda não dar despesas ao Estado é um direito da pessoa em tomar a Pílula. Às vezes é melhor não ter um filho do que tê-lo sem condições de criá-lo.
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