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Cotidiano
29/01/2008 - 15h48

Governo quer retomar campanha de desarmamento em fevereiro

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O governo vai retomar a campanha do desarmamento a partir de fevereiro. O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Teles Barreto, disse nesta terça-feira que a campanha vai ser realizada no mesmo modelo que era executada anteriormente. A idéia é lançar uma MP (medida provisória) estabelecendo a regularização das armas em uso no país. A decisão deve sair nos próximos dias.

"[A campanha de desarmamento] será basicamente nos moldes da [campanha] anterior e também regularizar as armas [em uso no país]. Aqueles que não quiserem se submeter a esse procedimento poderão devolver essas armas e serem reembolsados", disse Barreto.

O objetivo da campanha, segundo o secretário, é tentar reduzir o número de mortes no país --uma vez que números recentes mostram que a violência se expandiu também para o interior do país. Pelos dados, as vítimas são alvos de armas de fogo e objetos cortantes.

Barreto afirmou ainda que o governo vai intensificar o esforço para tentar manter a queda no número de mortes no país, registrada nos últimos quatro anos. Segundo ele, serão realizados investimentos em prevenção, fortalecimento das guardas municipais e também na polícia nacional.

Mapa

Com base nos dados da pesquisa "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008", realizada pela Ritla (Rede de Informação Tecnológica Latino Americana), o governo reconheceu que os números de mortes no país ainda são elevados. O estudo mostrou também que a violência invadiu os municípios do interior.

A pesquisa se baseou em dados de 1996 a 2006, como atestados de óbitos de 5.564 municípios e informações do Ministério da Saúde. De acordo com essas informações, a violência está presente tanto nos menores municípios, como também nas regiões fronteiriças.

Barreto disse que o governo vai direcionar investimentos para essas regiões, enviando policiais para a Amazônia --onde recentemente o governo admitiu que falta fiscalização-- e nas áreas fronteiriças.

Campeões

Do total de 5.564 municípios analisados, os pesquisadores destacaram os 554 com maiores índices do país. Na relação dos mais violentos, estão 48 municípios na sua maioria no interior dos Estados.

Em números absolutos, a cidade em que houve o maior registro de mortes, em 2006, foi São Paulo, com 2.546 mortes. Depois, o Rio de Janeiro com 2.273, e Recife com 1.375 homicídios.

Em dez anos, o número total de homicídios registrados em todo o Brasil passou de 38.888 para 46.660. Segundo os pesquisadores, o aumento foi de 20%, acima do registrado em relação ao crescimento da população, que foi de 16,3%.

Entre os municípios do interior do país, os campeões em registro de mortes e vítimas estão: Coronel Sapuacaia (MS), Colniza (MT), Itanhangá (MT), Serra (ES) e Foz do Iguaçu (PR).

 

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