Governo do Rio exonera comandante da PM, chefe do Estado Maior e 8 oficiais
CIRILO JÚNIOR
da Folha Online, no Rio
O secretário da Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, anunciou nesta terça-feira a exoneração do comandante-geral da Polícia Militar do Estado, coronel Ubiratan Angelo, além do Chefe do Estado Maior, coronel Samuel Dias Dionízio, e de oito oficiais da PM. O comando dos batalhões da capital do Estado também deve ser mudado.
Beltrame se mostrou insatisfeito com a postura do comando diante da passeata feita por policiais militares no domingo (27), na zona sul da cidade, em protesto contra os baixos salários.
Quem assume o lugar de Ubiratan é o coronel Gilson Pitta Lopes, atual chefe do Serviço de Inteligência da PM, o P-2.
| Rafael Andrade/18.jan.2008/Folha Imagem |
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| O ex-comandante-geral da PM do Rio, coronel Ubiratan Angelo |
O secretário alegou que faltou pulso ao comandante exonerado. "Faltou a ele [Ubiratan] apoio. Essas pessoas [que realizaram a manifestação] se precipitaram. O comandante deveria ter reprimido e tomado as rédeas desse processo", afirmou Beltrame.
Beltrame afirmou que foram identificados oito oficiais entre os manifestantes e que eles serão exonerados. Os nomes não foram informados pelo secretário. A assessoria de imprensa da Segurança informou que os nomes serão divulgados no 'Diário Oficial' do Estado.
Além de exonerados, esses policiais serão alvo de inquérito interno, segundo Beltrame. A pena prevista para PMs que participem de atos e protestos pode chegar a seis meses de prisão, de acordo com a Lei Orgânica.
'Quem proporcionou esse triste evento, no mínimo se precipitou, para não dizer outra coisa. Isso é insubordinação', disse o secretário.
Beltrame classificou como injustiça o fato de os manifestantes o acusarem de não lutar por melhores salários para a categoria. Ele alegou que nos últimos 30 dias se reuniu com o governador Sérgio Cabral (PMDB) em ao menos duas ocasiões para tratar do assunto.
'Entendo que o problema do salário é grave. A PM do Rio tem o segundo pior salário do Brasil. Não temos nada contra a reivindicação, e sim, contra o tom das manifestações. A corporação sabe o esforço que venho fazendo. Não vou permitir que um grupo de pessoas intervenha em um trabalho sério', afirmou Beltrame.
Dança das cadeiras
Juntamente com Ubiratan, Beltrame determinou a exoneração do chefe do Estado Maior, coronel Samuel Dionísio. Em seu lugar entra o coronel Antonio Carlos Soares David, que ocupava o Comando do Policiamento da Capital.
O secretário também anunciou que serão feitas trocas nos comandos de alguns batalhões da PM. Segundo Beltrame, essas mudanças já estavam previstas antes da passeata.
Os novos comandantes devem assumir na quinta-feira (31).
13 meses
Ubiratan permaneceu no comando da PM do Rio por 13 meses. Durante seu curto período à frente da corporação, enfrentou episódios que geraram crises na área da Segurança.
Pouco tempo depois de assumir, em fevereiro de 2007, o coronel enfrentou a avalanche de críticas da segurança do Estado com o episódio em quem o menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, foi arrastado por bandidos preso ao cinto de segurança após assaltarem a mãe do garoto. A
Meses depois, em maio, a PM ocupa o complexo do Alemão, na zona norte da cidade, após a morte de dois PMs com mais de 30 tiros. Em junho, em uma megaoperação com homens da PM e da Civil na região, 19 suspeitos foram mortos.
Pouco antes dos Jogos Pan-Americanos, em julho, policiais militares realizaram manifestações e ameaçaram 'operações-padrão'. Desistiram devido aos jogos, mas prometeram continuar reivindicando caso do governo não atendesse às reivindicações.
Beltrame não informou qual o destino de Ubiratan. Segundo o secretário, o coronel entrará em férias e seu futuro cargo será discutido quando ele retornar ao trabalho.
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