Beltrame descarta rever exoneração do comando da PM; policiais devem entregar cargos
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O secretário da Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, descartou nesta quarta-feira a possibilidade de rever a exoneração do coronel Ubiratan Angelo do comando da PM (Polícia Militar), anunciada ontem. A revogação da decisão foi pedida por um grupo de 41 policiais, que ocupam cargos de comando, direção e chefia de seção, na noite de terça. Eles devem entregar seus cargos ainda hoje. No grupo, estão 17 comandantes de batalhões.
Beltrame afirmou que, caso os oficiais deixem os cargos, irá nomear outros em seus respectivos lugares. O governador Sérgio Cabral (PMDB) declarou, também nesta quarta, que não irá aceitar a demissão dos oficiais.
O secretário afirmou, ainda, que a crise na PM não vai prejudicar a segurança no Carnaval. Segundo ele, o trabalho do efetivo de quase 40 mil homens não será prejudicado por um grupo de 41 pessoas.
Mudança
A mudança no comando da PM ocorreu após passeata feita por policiais militares no domingo (27), na zona sul da cidade, em protesto contra os baixos salários. Beltrame se mostrou insatisfeito com a manifestação e classificou o ato como insubordinação.
Em reunião realizada na noite de terça na AME (Associação dos Militares Estaduais), o grupo de PMs denominado de Barbonos -- que reivindicam melhores salários para a corporação -- questionou a posição de Beltrame. Os oficiais exigem, ainda, a saída do secretário.
Na manhã desta quarta, em entrevista a rádio BandNews, o ex-corregedor da PM, Paulo Ricardo Paúl, disse que os oficiais da PM estão unidos em torno do coronel Ubiratan. Segundo ele, Ubiratan é o líder legítimo da corporação, e sua recondução ao cargo será pedida ao governador.
Para o lugar do coronel Ubiratan, Beltrame anunciou o coronel Gilson Pitta Lopes, que comandava o serviço de inteligência da PM. Na reunião dos PMs, Pitta foi classificado como traidor do grupo. O novo comandante havia assinado documento, em julho do ano passado, por melhorias salariais e no qual se comprometia a não assumir cargo de comandante da PM ou de chefia do Estado-Maior.
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