Após mudança no comando, PMs abandonam postos de trabalho no Rio
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Policiais militares de alguns batalhões do Rio estão deixando os seus postos nesta quarta-feira e retornando aos quartéis em protesto contra à mudança no comando da corporação. Policiais do 18º Batalhão, em Jacarepaguá (zona oeste), confirmaram que parte do efetivo ficou aquartelado na sede da unidade enquanto a outra parte foi para as ruas --mas deixou os carros policiais no batalhão.
Ontem (29), o secretário da Segurança, José Mariano Beltrame, anunciou a exoneração do comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, do chefe do Estado Maior, Samuel Dias Dionízio, e mais oito oficiais que teriam sido vistos participando de uma manifestação por melhores salários realizada no domingo (27) por PMs. O secretário classificou o ato como insubordinação.
Segundo policiais do 18º Batalhão, o movimento está se espalhando para outras unidades, como o 6º Batalhão (Tijuca) e o 3º Batalhão (Méier).
Ao menos 30 oficiais da PM do Rio pediram exoneração dos cargos nesta quarta-feira --entre eles 17 comandantes de batalhões. No total, 41 policiais devem entregar os cargos, em uma reação à decisão de Beltrame de exonerar o coronel Ubiratan.
O secretário minimizou a crise e afirmou que a segurança no Carnaval não será prejudicada. Segundo ele, o trabalho do efetivo de quase 40 mil homens não será prejudicado por um grupo de 41 pessoas.
"Falta de pulso"
Durante o anúncio ontem da exoneração do comandante, Beltrame alegou que faltou pulso a Ubiratan na condução das reivindicações da categoria e na organização da passeata. 'Faltou a ele [Ubiratan] apoio. Essas pessoas [que realizaram a manifestação] se precipitaram. O comandante deveria ter reprimido e tomado as rédeas desse processo', afirmou Beltrame.
Os oito oficiais que teriam sido identificados quando participavam da passeata no domingo, além de serem exonerados, serão alvo de inquérito interno, segundo Beltrame. A pena prevista para PMs que participem de atos e protestos pode chegar a seis meses de prisão, de acordo com a Lei Orgânica.
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