Depois de agentes, delegados entram em greve em Alagoas
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha
Delegados da Polícia Civil de Alagoas entram em greve por tempo indeterminado a partir de desta sexta-feira (1º), às vésperas do Carnaval. A paralisação dos delegados aprofunda a crise na segurança pública do Estado, que passa por uma greve de seis meses dos agentes de polícia.
Segundo o presidente da Adepol (Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas), Antônio Carlos Lessa, apenas quatro delegacias --sendo uma em Maceió-- trabalharão em regime de plantão a partir do início da greve.
Devido à greve dos agentes, desde o início de agosto de 2007, as investigações criminais estão praticamente paradas e apenas os flagrantes são atendidos. Os policiais civis devem definir se continuam o movimento.
Os delegados reivindicam a equiparação salarial com os procuradores do Estado, o que, segundo a Adepol, está prevista na Constituição do Estado. A proposta da Adepol é que o reajuste seja pago em 36 meses. Caso a reivindicação seja atendida, o piso salarial dos delegados deve passar, em três anos, de R$ 7.100 para R$ 14 mil.
A categoria reivindica também melhores condições de trabalho e o pagamento de horas extras e adicional noturno.
"A greve vai causar um transtorno grande, pois, apesar da greve dos agentes, os inquéritos eram enviados à Justiça. Agora, pára tudo", diz Lessa.
Para Júlio Bandeira, coordenador da Comissão de Negociação do Estado, a Procuradoria Geral do Estado deu um parecer com base em uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) no qual os delegados não têm direito à equiparação.
O secretário da Defesa Civil de Alagoas, Edson Sá Rocha, vai apresentar nesta quinta-feira (31) as medidas de segurança que serão adotadas no período do Carnaval.
O governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho (PSDB), pedirá ao Ministério da Justiça o envio de 300 homens da Força Nacional de Segurança para ajudar no policiamento do Estado. A expectativa era que pelo menos cem policiais chegassem antes do Carnaval, o que não irá acontecer.
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