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Cotidiano
02/02/2008 - 06h56

Última a entrar no sambódromo, Nenê de Vila Matilde mistura samba e maracatu

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da Folha Online

Última escola a desfilar na primeira noite do Carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde misturou samba e maracatu em um passeio pelo universo do folclorista Câmara Cascudo.

Com o enredo "Um vôo da águia como nunca se viu! Também somos folclore do nosso Brasil - 110 anos aprendendo com Câmara Cascudo", a escola se inspirou nos dois volumes "Antologia do Folclore Brasileiro", de Luis da Câmara Cascudo, para compor seu enredo. Nos livros, o folclorista traz diversas informações sobre costumes, entre elas origens de elementos como bumba-meu-boi, folia de reis e congada, entre outros, pesquisados em escritos dos séculos 16 ao 20.

Antes da Nenê de Vila Matilde, desfilaram Rosas de Ouro, Tom Maior, Águia de Ouro, Unidos de Vila Maria, Acadêmicos do Tucuruvi e Gaviões da Fiel. Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.

No início do desfile, a Nenê trouxe um passeio pela região Nordeste. No carro abre-alas, representações de bonecos típicos da região e referência ao principal homenageado, Câmara Cascudo, por meio de imagens.

A bateria, posta logo à frente, representava o maracatu. Os integrantes tiveram os rostos pintados de preto. Alas representaram danças típicas como caboclinho, cordel e frevo e reisado de Alagoas.

A região Norte foi destaque no segundo carro. Entre as alas, representações de violeiros repentistas, dos bois garantido e caprichoso e danças como carimbó, retumbão e pajelança (dança da chuva). Em relação aos personagens, destaque para o mapinguari --lenda a respeito de uma criatura peluda parecida com um macaco, que come seus inimigos com a boca que tem na altura de sua barriga e que habita a selva amazônica.

O terceiro carro explorou personagens da região Centro-Oeste. As crianças tiveram uma ala própria. Elas integraram a cavalhadas em Goiás, expressão em que montam e cavalgam de forma coreografada simulando um torneio medieval. Ainda na região Centro-Oeste, a escola mostrou elementos da cerâmica indígena e danças como a siriá --criada a partir da caça do siri no Pará.

O boi-tatá e pau de fitas representaram a região Sul. O setor mostrou ainda a festa da uva e a balainha, dança entre casais que carregam arcos enfeitados com flores, e o cordão-de-bichos, dança dramática do período junino, na qual os figurantes se fantasiam de animais.

A festa do divino, danças caipiras, maculelê e gafieira foram representadas no último carro, que mostrou o universo do folclore da região Sudeste do país. A velha guarda da Nenê de Vila Matilde e a ala dos compositores fecharam o desfile.

A escola foi a sétima colocada no Carnaval 2007 --o último título foi conquistado em 2001, quando dividiu o prêmio com a Vai-Vai. Antes disso, a última vez que foi campeã havia sido em 1985.

"O desfile foi uma aula de Brasil e mostrou a cultura do Oiapoque ao Chuí", disse o presidente da escola, Alberto Alves Silva Filho, o Betinho. A Nenê de Vila Matilde contou com a participação de 3.700 integrantes, em 28 alas e cinco alegorias.

Desfiles

Neste sábado, a partir das 22h30, desfilam no segundo dia em São Paulo Camisa Verde e Branco, Mancha Verde, X-9 Paulistana, Pérola Negra, Vai-Vai, Mocidade Alegre e Império da Casa Verde.

 

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