Mancha Verde leva vida e obra de Ariano Suassuna ao Sambódromo de SP
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
A vida e a obra do escritor paraibano Ariano Suassuna viraram samba-enredo e ganham o Sambódromo do Anhembi no Carnaval deste ano pela Mancha Verde, segunda escola a desfilar na segunda noite de apresentações do Grupo Especial --a apresentação começou por volta das 23h50 deste sábado. Com a dissolução do Grupo Especial de Escolas de Samba Esportivas, a escola volta a desfilar pelo Grupo Especial, assim como fez pela primeira vez, em 2005.
Antes da Mancha, desfilou a Camisa Verde e Branco. Na seqüência, se apresentam X-9 Paulistana, Pérola Negra, Vai-Vai, Mocidade Alegre e Império da Casa Verde. Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.
Com o enredo "És imortal...Ariano Suassuna, Sua Vida, Sua Obra, Patrimônio Cultural", a Mancha Verde mescla um pouco da história de vida do escritor e cita algumas de seus personagens e livros. Segundo o carnavalesco Eduardo Caetano, a escola optou por apresentar uma evolução cronológica da vida de Suassuna, em contrapartida com suas obras.
| Caio Guatelli/Folha Imagem |
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| Integrante da Mancha Verde desfila no Anhembi, na segunda noite do Grupo Especial |
O primeiro setor representa o nascimento do escritor, sua infância, sua formação cultural e suas primeiras obras. Uma espécie de baú com objetos antigos importantes será empurrado pelo boneco símbolo da escola, o Manchão. A alegoria é composta ainda por um cenário que remete ao chão árido e vegetação seca do sertão, constantes em várias obras de Suassuna.
Uma obra do escritor citada já no primeiro carro é o "Auto da Compadecida". Integrantes da Mancha Verde encenam o julgamento de João Grilo, personagem que morre atingido durante uma luta com cangaceiros e vai a julgamento tendo como acusador o Diabo. O setor ainda trará alas que vão abordar a cultura popular do sertão paraibano.
O segundo carro conta com personagens típicos da região onde o escritor nasceu e mostra referências da obra "A Pedra do Reino". Elementos do folclore como mamulengos --bonecos-- e desafios de viola estão representados.
Alas abordam a arte armorial, criada para valorizar a cultura popular do Nordeste do país e que demonstra interesse por diversas vertentes, entre elas a dança, pintura, música, literatura, cerâmica, escultura e teatro. A literatura de cordel também é destaque.
O carnavalesco apresenta ainda uma alegoria gigante criada com 7.000 bolinhas de piscina infantil. "Queremos mostrar a criatividade e inventividade de Suassuna", afirma Caetano. A estrutura conta ainda com duas esculturas de 33 metros cada, representando duas pedras.
O teatro moderno é apresentado por meio de citações de personagens de textos teatrais, como "O Casamento Suspeitoso", que mostra uma união baseada em interesses, e a tese de livre-docência, intitulada "A onça castanha e a ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira".
Outra alegoria da escola apresenta dois momentos fundamentais da vida do escritor, ambos representados por palhaços --o alegre é o contato com o circo, e o triste, a morte do pai.
O último carro conta com esculturas de quatro grandes cavalos. Feita com estilo clássico, a alegoria caracteriza a ascensão do escritor à Academia Brasileira de Letras. Suassuna foi eleito em 3 de agosto de 1989 à cadeira número 32.
Segundo Caetano, apesar de ter medo de voar de avião, o imortal confirmou presença e participação no desfile.
Grupo Especial
No primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial das escolas de samba de São Paulo se apresentaram Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tucuruvi, Unidos de Vila Maria, Águia de Ouro, Tom Maior, Rosas de Ouro e Nenê de Vila Matilde.
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