São Clemente homenageia bicentenário da chegada da corte portuguesa ao Brasil
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Contar um pouco da história da chegada da família real ao Brasil, que neste ano comemora 200 anos, é a proposta da escola de samba São Clemente, que abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval 2008 do Rio por volta das 21h05 deste domingo.
Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.
A escola, campeã do Grupo de Acesso no ano passado, apresenta o enredo "O Clemente João VI no Rio: a Redescoberta do Brasil...".
Fábio Santos, da equipe de carnavalescos da escola --composta ainda por Mauro Quintaes e Milton Cunha-- afirma que a proposta foi a de mostrar como a vinda da família influenciou diversos setores. "Do urbanismo, passando pela moda, à arquitetura, cultura e até estímulo à ciência e economia. Mostramos um pouco de como a vida no país se transformou com a chegada da corte portuguesa", afirma.
| Jorge Araújo/Folha Imagem |
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| Integrante da escola São Clemente desfila na Sapucaí, na primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio |
A comissão de frente da escola representa uma encenação aos moldes de uma peça teatro, onde a mãe de d. João 6º, Maria a Louca, é destaque, ao lado de integrantes da Casa dos Bourbons e dos Braganças. O abre-alas representa toda a festa em torno do casamento de d. João com Carlota Joaquina, com direto também ao abuso no uso da cor azul (representando as safiras) e efeitos pirotécnicos a partir do gás inflamável --e como foi considerado revolucionário à época.
O segundo setor precede a vinda da corte ao Brasil, que na leitura dos carnavalescos tornou-se o paraíso tropical. "O encontro foi de um Brasil africanizado, ainda sem a miscigenação dos povos que viria apenas depois", afirma Santos.
Entre os personagens representados pelos integrantes da escola, portugueses com casacos de época, africanos caracterizados e indígenas. O carro mostra a comitiva desembarcando e a surpresa e festa realizada no Rio para receber a família real.
A escola também mostra o quão suntuosa e rica se tornou uma chácara que, após reformas, tornou-se o palácio de São Cristóvão, sede da corte. "Era algo muito luxuoso, com mais de 300 janelas e jardins gigantes", afirma Santos.
Composta por duas plataformas, a alegoria é uma das mais ricas da escola, segundo o carnavalesco. As alas mostram as riquezas do jardim, os pratos servidos e apresentações de dança e teatro à família real. Um d. João 6º comendo uma imensa parte de uma carne dá o tom irreverente, uma das características da escola, conforme Santos.
Ainda neste setor são apresentadas criações como a Casa da Moeda e encenações do sistema bancário criado à época.
O progresso estimulado pela presença da corte portuguesa e suas ações estão simbolizados na quarta alegoria. Nela, a abertura dos portos aos países estrangeiros para incentivar o comércio é destaque, com a guarda marítima e artilharia de guerra.
A bateria e alas da São Clemente homenageiam os fuzileiros navais, artistas do real teatro São João, Casa da Pólvora e Imprensa Régia.
Cultura
As chamadas missões artísticas são simbolizadas por meio da caracterização e obras do pintor Jean Baptiste Debret, que decorou o palácio real, da arquitetura de Granjean de Montigny e da escultura de Auguste-Marie Taunay, responsável, entre outros, pelas decorações festivas da família real.
Alas mostram como missões científicas pelas matas em busca de animais, plantas e minerais contribuíram para a expansão do conhecimento. A criação da escola de medicina vem em outra ala.
O encerramento do desfile da São Clemente mostra o fim da presença de d. João 6º no Brasil. Forçado a retornar a Portugal, o povo carioca faz uma homenagem antes de sua despedida, com a lágrimas de entrudo.
Santos explica que os passistas vão reproduzir a festa popular, em que as pessoas brincavam de arremessar baldes de água, ovos, tangerinas, farinha, gesso, tinta, uma contra as outras. "O divertimento era algo semelhante às boas farras de Carnaval", afirma o carnavalesco.
Desfiles
Depois da São Clemente, desfilam a Porto da Pedra, Salgueiro, Portela, Mangueira e Viradouro.
Na segunda-feira, desfilam Mocidade Independente, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Grande Rio e Beija-Flor.
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