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Cotidiano
04/02/2008 - 00h03

Enredo da Salgueiro celebra o Rio e homenageia família real

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

A Salgueiro, terceira escola a desfilar pelo Grupo Especial do Carnaval 2008 no Rio, pretende mostrar as diferentes fases da cidade a partir da chegada da corte portuguesa com o enredo "O Rio de Janeiro continua sendo...". A escola, que iniciou sua apresentação por volta da 0h desta segunda-feira, foi a sétima colocada no ano passado.

Antes, desfilaram a São Clemente --que também apresentou enredo sobre a família real-- e a Porto da Pedra. Na seqüência, se apresentam Portela, Mangueira e Viradouro. Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.

A Salgueiro começa seu enredo mostrando os primórdios do Rio, à época da chegada da família real. "A descoberta deslumbrada, a colonização, o desenvolvimento do urbanismo, as descobertas e tudo de bom que isso proporcionou nos dias atuais serão apresentados", afirma o diretor de Carnaval, Tavinho Novello.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Componentes da Salgueiro desfilam na Marquês de Sapucaí, em enredo que celebrou o Rio e fez homenagem à família real
Componentes da Salgueiro desfilam na Marquês de Sapucaí, em enredo que celebrou o Rio e fez homenagem à família real

Com muito colorido e apostando nas representações dos nativos, a comissão de frente da escola mostra sua interpretação da visão paradisíaca que os integrantes da corte portuguesa tiveram ao desembarcar no Rio.

À frente, os guardiões do mar, seguidos dos índios, navegadores e piratas. Pássaros, peixes e elementos da natureza estão distribuídos em alas e no carro alegórico.

A presença da família real no Rio e as mudanças arquitetônicas e urbanísticas na cidade são mostrados no segundo setor. Referências a artistas que retrataram o Rio, como Debret, estão em uma das alas. Outras trazem d. João 6º, damas da corte e nobres.

O tráfego no porto e a conseqüente migração de pessoas rumo ao Rio, que ajudaram a desenvolver o comércio, e a praça Mauá, frequentada por religiosos do mosteiro de São Bento, são destacados no terceiro quadro. O local, segundo Oliveira, foi a origem da diversidade que se observa atualmente.

"O samba nasceu ali [na praça Mauá] e a tolerância religiosa e cultural também", afirma o diretor de Carnaval.

Em seguida, a escola mostra a propagação da boemia, arte e poesia pelas ruas do Rio. A vida cultural agitada é tomada por bibliotecas, teatros, cinemas e figuras como teatro de revista, estudantes, Cinelândia, pintores, garçons e a Lapa, tradicional bairro da boemia à época, são mostradas na alegoria.

O malandro carioca é destaque. Ele caracteriza a ala da bateria da agremiação. "Estabelecemos um contraponto com o antigo e o atual", afirma Oliveira.

Outros personagens em destaque são os dançarinos de gafieira, travestis, prostitutas, músicos, sambistas, engraxates, garçons, e vendedores de amendoim.

A evolução do Rio e seu desenvolvimento como destino turístico, até ganhar o apelido de Cidade Maravilhosa devido à exuberância de sua natureza, é retratado no quinto setor. Atrações como o Jardim Botânico, calçadão de Copacabana e o Réveillon são retratados nas alas e na alegoria.

O carro, com o nome de "Do Leme ao Pontal, não há nada igual...", homenageia Tim Maia, morto em 1998.

O fanatismo das torcidas de futebol estão retratas na escola por meio da cenografia de uma alegoria do Maracanã, construído para abrigar a Copa do Mundo de 1950. À frente do carro, a famosa estátua de Belini, capitão da seleção brasileira de 1958.

A diversidade do subúrbio carioca na ótica de quem viaja por intermédio de um trem também é apresentada. Na visão dos carnavalescos da escola, estão imagens de igrejas, barracos e garotos soltando pipa nas favelas.

Personagens típicos de bailes funks, pagodeiros, mulatas e passageiros de trem são distribuídos pelas alas. A escola destinará uma ala inteira a representação de um baile funk.

A Salgueiro fecha o desfile em clima de festa, só que saudosista. A oitava e última alegoria ambienta um baile de Carnaval de 1965 da escola, quando a escola foi campeã nos 400 anos de fundação da cidade. Arlequins, colombinas e pierrôs fazem parte da festa.

Desfiles

No sábado, desfilam Mocidade Independente, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Grande Rio e Beija-Flor.

 

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