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Cotidiano
04/02/2008 - 02h51

Desfile da Mangueira celebra o centenário do frevo

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira faz uma homenagem ao centenário do frevo no Carnaval deste ano, com o enredo "100 Anos do Frevo, é de Perder o Sapato. Recife mandou me chamar". A escola, que foi a terceira colocada no ano passado, começou a desfilar por volta da 2h50 desta segunda-feira.

Antes, desfilaram a São Clemente, a Porto da Pedra, a Salgueiro e a Portela. Na seqüência, a Viradouro encera a primeira noite do Grupo Especial. Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.

A comissão de frente e o primeiro carro da Mangueira retratam símbolos tradicionais e o ambiente de Recife. Entre ele, o boneco do Homem da Meia-Noite. A alegoria é composta ainda por leões coroados, símbolos da força e bravura recifense.

A baianas homenageiam o Recife trazendo à cabeça o brasão da cidade. As fanfarras e danças típicas também marcam presença.

A homenagem da escola inclui um baile de máscaras, com direito a personagens como arlequim e pierrô mascarados. O carro é inspirado nos salões de baile dos séculos 19 e 20.

Uma sociedade que reunia integrantes da elite recifense, denominado Dragões do Momo, estarão retratados no terceiro setor. Eles recebiam esse nome porque desfilavam a frente da corte do Carnaval.

O romantismo e as travessuras de um triângulo amoroso de figuras da Comédia Dell'art, como o Arlequim, a Colombina e o Pierrô, são mostrados no setor que aborda o amor de Carnaval. É nesta área da escola que a bateria se apresenta. Os ritmistas representarão os músicos das antigas bandas marciais e fanfarras que deram origem à música do frevo.

O Bloco das Flores, criado na década de 1920 para que a classe média pudesse brincar o Carnaval de rua do Recife, é lembrado pela escola. Os integrantes da Mangueira irão reviver costumes antigos do bloco, como a prática de atirar flores de sacadas e janelas. Um dos destaques será o de coral de vozes femininas.

O penúltimo carro da escola apresenta o cortejo à realeza do maracatu, de origem afro-indígena. Ele simboliza o ritual de oferecer música e dança para homenagear a coroação do Rei. A alegoria conta com elefantes na frente do carro. As alas apresentam elementos como os carregadores de lampiões que acompanhavam de perto o cortejo.

Fechando as homenagens ao centenário do frevo, a escola promete promover uma verdadeira festa com a fusão do samba da Estação Primeira de Mangueira e do frevo de Recife.

O carro alegórico mostra os instrumentos musicais de frevo subindo o morro carioca da Mangueira. Vestidas com as cores do frevo e comandante por Cartola, a comunidade recebe a visita ilustre do Galo da Madrugada.

Crise

Em janeiro, a polícia do Rio informou que investiga a atuação de traficantes na quadra da escola de samba. O local seria utilizado por criminosos para venda de drogas em um camarote vip. Agentes analisam ainda uma suposta rota de fuga feita para os bandidos. A direção da escola de samba nega qualquer vínculo com o tráfico de drogas.

"A Mangueira está com raiva. E a Mangueira com raiva é muito perigosa. Os componentes não têm culpa de certas coisas e vão entrar com garra", diz o carnavalesco Max Lopes, que não crê em jurados antipáticos por causa do ocorrido.

Desfiles

Na segunda, desfilam Mocidade Independente, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Grande Rio e Beija-Flor.

Com Folha de S.Paulo

 

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