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Cotidiano
04/02/2008 - 05h40

Porto da Pedra mistura japonês e samba; Portela e Viradouro se destacam

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da Folha Online

Enquanto a Unidos do Porto da Pedra misturou japonês e samba ao homenagear aos cem anos da imigração japonesa, as escolas de samba Portela e Viradouro se destacaram pela beleza e ousadia nesta primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio.

Confira a cobertura completa do Carnaval na Folha Online.

A São Clemente, da zona sul do Rio, abriu os desfiles com luxo na Marquês de Sapucaí.

Silvia Izquierdo/AP
Crianças participam do desfile da Porto da Pedra, que fez homenagem aos cem anos da imigração japonesa
Crianças participam do desfile da Porto da Pedra, que fez homenagem aos cem anos da imigração japonesa

Com o enredo "O Clemente João 6º no Rio: a Redescoberta do Brasil...", a escola, campeã do Grupo de Acesso no ano passado, apresentou a chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808, sob a ótica da mãe do rei d. João 6º, Dona Maria, "a Louca" (1734-1816).

O travesti Rogéria, 65, interpretou a monarca na comissão de frente do desfile, composta por atores e bailarinos clássicos. Alas como A Corte de Bragança, que retratou a nobreza de Portugal, apresentaram fantasias luxuosas, sempre com detalhes em dourado.

A Unidos do Porto da Pedra foi representada por seu símbolo maior, o tigre, mas neste ano com ideogramas japoneses.

Com o enredo "Tem pagode no Maru! 100 Anos de Imigração Japonesa", a escola levou para a avenida sua leitura da chegada dos japoneses ao Brasil, e, conforme propõe o enredo, com pagode no navio Kasato Maru --embarcação que trouxe os primeiros imigrantes japoneses ao porto de Santos (SP).

Sérgio Moraes/Reuters
Integrante da Portela desfila na Marquês de Sapucaí; azul e branco destacam água como fonte de vida
Integrante da Portela desfila na Marquês de Sapucaí; azul e branco destacam água como fonte de vida

Terceira escola a desfilar pelo Grupo Especial, a Salgueiro contou em seu enredo a história da cidade do Rio de Janeiro. Com o enredo "O Rio de Janeiro continua sendo...", a escola homenageou, assim como a São Clemente, o bicentenário da chegada da família real ao Brasil, mas sob um aspecto diferente.

Enquanto a São Clemente narrou a vinda de dom João 6º pela ótica de sua mãe, dona Maria --conhecida como "a Louca"--, o Salgueiro preferiu tomar o acontecimento histórico como ponto central na evolução da cidade do Rio de Janeiro.

Em um alerta à questão ambiental, a Portela destacou na Marquês de Sapucaí, com as cores azul e branco, a água como fonte de vida. Com o enredo "Reconstruindo a natureza, Recriando a Vida: o Sonho Vira Realidade", a escola mostrou as belezas naturais.

A Portela abordou a natureza a partir de três ambientes: água, terra e ar. Ela mostrou aspectos dos mares, passando pelas belezas naturais, energias renováveis e a necessidade de união dos povos para preservar o que ainda existe.

Rafael Andrade/Folha Imagem
Componentes da Salgueiro desfilam na Marquês de Sapucaí em enredo que celebrou o Rio e fez homenagem à família real
Componentes da Salgueiro desfilam na Marquês de Sapucaí em enredo que celebrou o Rio e fez homenagem à família real

A comissão de frente representou a água. Com mais de 23 metros de extensão e quase oito metros de altura, a águia --símbolo da escola-- foi a maior já levada à Sapucaí. Anexo a ela, uma estrutura que comportou 3.000 litros de água.

A escola de samba Estação Primeira de Mangueira fez uma homenagem ao centenário do frevo, com o enredo "100 Anos do Frevo, é de Perder o Sapato. Recife mandou me chamar".

A comissão de frente e o primeiro carro da Mangueira retrataram símbolos tradicionais e o ambiente de Recife. Entre ele, o boneco do Homem da Meia-Noite. A alegoria foi composta ainda por leões coroados, símbolos da força e bravura recifense.

As baianas homenagearam o Recife trazendo à cabeça o brasão da cidade. As fanfarras e danças típicas também marcaram presença, além de um baile de máscaras.

André Mourão/Efe
Comissão de frente da Viradouro, última escola a desfilar na primeira noite, representou o arrepio do frio; veja fotos
Comissão de frente da Viradouro, última escola a desfilar na primeira noite, representou o arrepio do frio; veja fotos

Última a desfilar, a Viradouro provocou sensações no público, com o enredo "É de arrepiar". A escola pretendia mostrar o arrepio da repugnância, mas teve de mudar a proposta por ordem judicial. Inicialmente, dentro do contexto do enredo, falaria do Holocausto tendo a figura de Adolf Hitler à frente do carro. Em cima da alegoria estavam corpos sobrepostos e objetos que remetiam a um campo de extermínio de judeus.

Atendendo a um pedido da Fierj (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro), a juíza Juliana Kalichsztein proibiu a escola a desfilar com o carro. Agora, mostrou uma alegoria adaptada, que abordou a liberdade de expressão.

A comissão de frente da Viradouro gelou a Marques de Sapucaí em pleno verão. Um carro de 40 metros de extensão --o equivalente a cerca de três caminhões acoplados-- sustentou uma pista de ski de 9 metros de altura, abastecida por 26 toneladas de gelo trituradas momentos antes de a escola entrar na avenida. Nela, atletas da CBDN (Confederação Brasileira dos Desportos de Neve) se apresentaram com pranchas de snowboard.

Desfiles

Na segunda noite de Carnaval no Rio, desfilam Mocidade Independente, Unidos da Tijuca, Imperatriz Leopoldinense, Vila Isabel, Grande Rio e Beija-Flor.

 

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