Incorporação de hábitos ocidentais aumenta risco de diabetes em japoneses
da Folha Online
A incorporação de hábitos alimentares ocidentais e a ausência de atividades físicas regulares aumentam o risco de diabete entre japoneses e descendentes residentes no Brasil. O aumento do consumo de gorduras de origem animal e o baixo conteúdo de fibras são os grandes vilões que fazem com que o número total de casos existentes seja três vezes superior na comparação com a média da população no Japão.
A análise é do médico endocrinologista André Luiz Cruzes, presidente da Associação de Diabetes Juvenil da Região Noroeste Paulista, com base em dados de um estudo realizado pela Unifesp (Universidade federal de São Paulo) entre 1993 e 2000.
Segundo Cruzes, o levantamento mostra que o número total de casos de diabetes do tipo 2 existentes no Japão é de 7%, enquanto que no Brasil é de 10%. Entre os japoneses e descendentes residentes no Brasil, a taxa atinge 36%.
"Realizo muitas palestras e sou muito questionado, mas é um assunto que precisa ser abordado de forma séria e como uma questão de saúde pública", afirma Cruzes.
Adultos
Os dados demonstram ainda que 70% da população adulta --os japoneses e os descendentes residentes fora do Japão-- estão sujeitos a complicações relacionadas ao metabolismo da glicose e podem vir a desenvolver síndrome metabólica.
A síndrome está relacionada ao excesso de gordura abdominal em associação com intolerância à glicose (diabetes), aumento de gorduras circulantes no sangue (triglicérides), hipertensão, redução do colesterol protetor (HDL colesterol) e perda de albumina na urina.
O estudo demonstra ainda que a população mais sujeita aos males é a de homens. O perfil mais associado com os distúrbios é o do homem com peso normal e gordura concentrada na região abdominal.
Segundo explica o médico, a predisposição observada no Brasil não ocorre no Japão principalmente pelo fato de que o país do Oriente tem hábitos alimentares saudáveis, com baixos consumo de açúcares, gordura e proteína animal. Em contrapartida, o consumo de carboidratos complexos e fibras é mais alto em relação ao Brasil.
Estilo de vida
A única forma de evitar os riscos, segundo o médico, é a mudança no estilo de vida. Ele inclui, entre outros, uma melhor alimentação e a inclusão de exercícios físicos.
Cruzes recomenda ainda que os japoneses e descendentes residentes no país façam avaliação periódica e procurem tratamento especializado.
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