Guerra das cervejarias prejudica desfile de bonecos gigantes em Olinda
FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Olinda
A "guerra das cervejarias" pela exclusividade da marca no Carnaval de Olinda (PE) prejudicou um dos mais bonitos e esperados eventos do Carnaval da cidade, o desfile dos bonecos gigantes, realizado nesta terça-feira.
Impedida por lei de repassar recursos a agremiações financiadas por concorrentes do patrocinador oficial da festa, a Prefeitura de Olinda não enviou verba para a organização do desfile, que foi obrigada a reduzir o número de participantes este ano. O Carnaval de Olinda é patrocinado pela Ambev, e o evento dos bonecos gigantes, pela Nova Schin.
Com pouco dinheiro em caixa, o artesão e organizador do desfile, Silvio Botelho, limitou a 80 o número de bonecos gigantes este ano, cerca de 20 a menos que a média dos eventos anteriores. O número de orquestras de frevo também diminuiu, de quatro para três. "Sem verba, fica difícil fazer uma festa dessas com dignidade", afirmou o artista.
Botelho disse que gastou R$ 60 mil no desfile de ontem. Segundo ele, seria preciso mais R$ 90 mil para fazer o evento da maneira que imaginou. "Pensei em tematizar a festa, mas isso significa grana", declarou. Apesar das dificuldades, o artesão, criador de 653 bonecos gigantes, disse que a festa não corre risco de acabar.
A prefeita de Olinda, Luciana Santos (PC do B), afirmou que Botelho "sabe das regras do Carnaval" e da existência da lei municipal que oferece ao patrocinador exclusividade de venda nos 14 pólos de folia da cidade e proíbe o financiamento das agremiações custeadas pelos concorrentes.
Ainda segundo ela, mesmo assim, a prefeitura conseguiu do governo do Estado R$ 5.000 em infra-estrutura para ajudar o desfile dos bonecos, além do pagamento do cachê de um músico que se apresentou na concentração do grupo.
De acordo a prefeita, a lei municipal, conhecida como "Lei do Carnaval", é "benéfica para a cidade", pois permite que a festa seja quase totalmente paga pelos patrocinadores.
Este ano, disse, a festa em Olinda custou R$ 4,5 milhões. Só a Ambev pagou R$ 1,626 milhão para que a Skol fosse a única marca de cerveja vendida nos pontos, afirmou Santos.
A disputa pelo direito de patrocinar o Carnaval olindense foi intensa e acabou na Justiça, com ações da prefeitura e da Nova Schin, que disputou a concorrência com a Ambev.
Alheios aos conflitos de interesse, o público se divertiu com a passagem dos bonecos gigantes no centro histórico da cidade. "É um momento único no Carnaval", disse a estudante Camila Souza Rodrigues.
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