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Cotidiano
07/02/2008 - 21h44

Justiça manda vítima de erro médico ser operada de novo em Mato Grosso

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MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha

Uma mulher que fez uma operação em 2006 para tirar um cisto no ovário esquerdo e teve o órgão direito retirado conseguiu, na Justiça, o direito de realizar nova cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Ângela Beatriz Martins Mombach, 40, merendeira do município de Lucas do Rio Verde (360 km de Cuiabá) e mãe de duas meninas, afirma que, mesmo com a decisão, não quer fazer a segunda cirurgia.

Diz que pedirá indenização pelos gastos e tratamentos realizados em clínicas particulares para "reparação" dos problemas causados após a cirurgia, feita no Hospital São Lucas.

Na decisão, o juiz da comarca de Lucas do Rio Verde Túlio Duailibi Alves Souza determina que o Estado de Mato Grosso autorize, em dez dias, a realização da nova cirurgia.

Em caso de descumprimento, a multa estipulada é de R$ 5.000 por dia. O pedido foi feito pelo defensor público do município, Maicon Vendruscolo, que ainda pode pedir à Justiça indenização em vez da cirurgia, se a mulher assim quiser.

De acordo com o magistrado, "a saúde da população é dever do Estado e garantia do cidadão". Ele afirma que, pela Constituição, é dever do Estado propiciar "tratamento adequado e capaz de ofertar à pessoa enferma maior dignidade e menor sofrimento".
"Saí do consultório ciente de que o útero com o cisto tinha sido tirado, mas, na verdade, o médico tirou o outro. Só que a dor continuou", diz Mombach.

Segundo ela, após a cirurgia, ela procurou a Defensoria Pública de Lucas do Rio Verde para tentar obter uma nova operação junto ao SUS.

Entretanto, nesse meio tempo, procurou tratamento com médicos particulares que lhe disseram que as dores não eram causadas pelo cisto no ovário, mas por conseqüência de uma cirurgia anterior, feita um ano antes, no mesmo hospital, para retirada do útero.

"Tinha um ponto infeccionado em mim. Fui levada a um erro. Achava que meu problema era o cisto no ovário, mas, na verdade, era uma infecção."

Mombach afirma que não fará a segunda cirurgia porque já foi tratada, mas que tentará, na Justiça, indenização por causa dos gastos realizados em médicos particulares.

Ela não quis revelar os nomes dos médicos das duas cirurgias. No hospital, não havia ninguém da direção para atender a reportagem. A Secretaria da Saúde de Mato Grosso diz que a notificação da decisão judicial será revertida ao município e cumprida.

 

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