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Cotidiano
10/02/2008 - 09h37

Arma que matou coronel tinha sido usada em chacina

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LUIS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo

Um exame balístico inicial da Polícia Científica mostrou que a pistola de calibre 380 usada no assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues também foi utilizada em uma chacina na qual seis pessoas foram mortas na Água Fria, zona norte de São Paulo, em junho de 2007.

A polícia tenta agora reunir provas de que os dois crimes foram cometidos por um suposto grupo de extermínio que seria formado por policiais militares.

A comparação foi feita com base na análise de cápsulas de projéteis de calibre 380 encontradas por peritos nas cenas dos dois crimes. Segundo a polícia, quando uma pistola é disparada, deixa um padrão de marcas singular nas cápsulas das munições. Esse padrão pode ser reconhecido quando duas cápsulas da mesma arma são comparadas. Porém o laudo final desse exame de balística ainda não está pronto.

A principal linha de investigação da polícia é que Rodrigues tenha sido assassinado por PMs porque tentou desmantelar um grupo de policiais do 18º Batalhão da PM supostamente envolvidos com assassinatos e extorsão de taxas de comerciantes e traficantes de drogas da zona norte.

Rodrigues era comandante da PM na área norte e determinou transferências de policiais suspeitos de mau comportamento que atuavam juntos nas mesmas equipes de trabalho.

Na chacina do dia 29 de junho, um grupo de homens armados cercou seis jovens na rua Rua Bittencourt da Silva, no Morro do Piolho. A única testemunha, que passava pelo local e foi baleada, relatou que os assassinos se aproximaram gritando: "polícia, encosta aí", e em seguida atiraram.

Foram mortos Rodrigo Costa Giaconelli, 21, Jailson José da Silva, 20, Victor Fernando Soares dos Santos,15 anos, Rafael Eucarello Parente, Jairo Cabral dos Santos, 18, e Marcos Paulo da Silva Aguiar, 21.

Três PMs da Força Tática do 18º Batalhão, que estão presos por outros crimes, são também suspeitos de ligação com a morte do coronel. São eles: o soldado Pascoal dos Santos Lima e os sargentos Ricardo da Rocha Benetti e Hélber Antônio de Freitas. A Folha não conseguiu localizar seus advogados.

A polícia analisa cerca de 100 cápsulas e projéteis que podem ter relação com os casos.

 

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