18/09/2001
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04h52
da Agência Folha, em Belo Horizonte
O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou ontem que houve uma falha no motor direito do Fokker 100 da TAM antes do acidente, no último sábado à noite, que provocou a morte da passageira Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, 48, e deixou três pessoas levemente feridas.
Segundo nota divulgada pelo órgão, essa falha resultou "em uma despressurização explosiva, avariando um pedaço da fuselagem [perto da poltrona 19" e duas janelas próximas à poltrona 16".
O DAC, que já conseguiu as caixas-pretas do avião, não divulgou as causas da falha no motor. Também não comentou as informações da empresa aérea de que uma peça, provavelmente uma hélice, teria se desprendido da turbina, atingindo as janelas e perfurando a fuselagem.
O Fokker 100 da TAM havia decolado às 18h27 de Recife com destino ao aeroporto de Congonhas e escala em Campinas, levando 82 passageiros. A aeronave teve que fazer um pouso forçado perto de Belo Horizonte.
O diretor do CTA (Centro Técnico Aeroespacial) coronel José Carlos Argolo, ligado à Aeronáutica, disse ontem que os modelos Fokker 100 deverão passar por mudanças. "Seguramente vai ter que ser modificado, seja motor, seja cabine, não a aeronave, mas o modelo da aeronave", afirmou Argolo, em entrevista à Rede Globo. Segundo a assessoria de imprensa do CTA, essa não é uma posição oficial do órgão.
Dois técnicos ouvidos ontem pela Folha contestam as análises iniciais do DAC. Eles avaliam que a probabilidade maior é que um problema no motor tenha acontecido depois de a fuselagem ter se rompido, e não antes. O presidente da Federação Nacional dos Aeroviários e Aeronautas, Pedro Azambuja, diz que, se alguma peça tivesse se soltado do motor, ela provavelmente teria sido sugada pela turbina ou ido para trás da aeronave, acompanhando a movimentação do ar.
Ele considera mais prováveis duas hipóteses: uma, de que a estrutura do avião tenha se rompido mesmo sem ser atingida por nenhum objeto; outra, de que uma peça da parte frontal do Fokker 100, como sensores ou radares, tenha se desprendido, atingindo as janelas e perfurando a fuselagem da aeronave.
Outro técnico reforça essa primeira possibilidade e suspeita que tenha havido algum problema semelhante em 1997, quando houve uma explosão em um Fokker 100, durante vôo entre São José dos Campos e São Paulo, atribuída a uma bomba que teria sido colocada por um passageiro. Ele não quer se identificar porque poderá participar das investigações.
Azambuja diz que alguma parte do motor pode ter sido atingida por um pedaço da estrutura rompida. Ele suspeita que a fuselagem tenha quebrado em razão de falhas no projeto desse modelo ou até mesmo de fadiga metálica.
A TAM fez inspeção emergencial, anteontem e ontem, nas turbinas dos 50 Fokker 100 da empresa. Não foram constatados problemas. "As suposições de pessoas que não tiverem contato com a aeronave são irresponsáveis e danosas", disse Paulo Pompilio, assessor da presidência.
A Polícia Federal informou ontem que vai convocar para depor todos os tripulantes e alguns dos passageiros do vôo da TAM. Eles vão ser ouvidos por meio de carta precatória, já que moram em São Paulo. Técnicos da Rolls-Royce, fabricante do motor, chegam hoje a Belo Horizonte.
Para DAC, houve falha no motor do Fokker
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da Folha de S.Pauloda Agência Folha, em Belo Horizonte
O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou ontem que houve uma falha no motor direito do Fokker 100 da TAM antes do acidente, no último sábado à noite, que provocou a morte da passageira Marlene Aparecida Sebastião dos Santos, 48, e deixou três pessoas levemente feridas.
Segundo nota divulgada pelo órgão, essa falha resultou "em uma despressurização explosiva, avariando um pedaço da fuselagem [perto da poltrona 19" e duas janelas próximas à poltrona 16".
O DAC, que já conseguiu as caixas-pretas do avião, não divulgou as causas da falha no motor. Também não comentou as informações da empresa aérea de que uma peça, provavelmente uma hélice, teria se desprendido da turbina, atingindo as janelas e perfurando a fuselagem.
O Fokker 100 da TAM havia decolado às 18h27 de Recife com destino ao aeroporto de Congonhas e escala em Campinas, levando 82 passageiros. A aeronave teve que fazer um pouso forçado perto de Belo Horizonte.
O diretor do CTA (Centro Técnico Aeroespacial) coronel José Carlos Argolo, ligado à Aeronáutica, disse ontem que os modelos Fokker 100 deverão passar por mudanças. "Seguramente vai ter que ser modificado, seja motor, seja cabine, não a aeronave, mas o modelo da aeronave", afirmou Argolo, em entrevista à Rede Globo. Segundo a assessoria de imprensa do CTA, essa não é uma posição oficial do órgão.
Dois técnicos ouvidos ontem pela Folha contestam as análises iniciais do DAC. Eles avaliam que a probabilidade maior é que um problema no motor tenha acontecido depois de a fuselagem ter se rompido, e não antes. O presidente da Federação Nacional dos Aeroviários e Aeronautas, Pedro Azambuja, diz que, se alguma peça tivesse se soltado do motor, ela provavelmente teria sido sugada pela turbina ou ido para trás da aeronave, acompanhando a movimentação do ar.
Ele considera mais prováveis duas hipóteses: uma, de que a estrutura do avião tenha se rompido mesmo sem ser atingida por nenhum objeto; outra, de que uma peça da parte frontal do Fokker 100, como sensores ou radares, tenha se desprendido, atingindo as janelas e perfurando a fuselagem da aeronave.
Outro técnico reforça essa primeira possibilidade e suspeita que tenha havido algum problema semelhante em 1997, quando houve uma explosão em um Fokker 100, durante vôo entre São José dos Campos e São Paulo, atribuída a uma bomba que teria sido colocada por um passageiro. Ele não quer se identificar porque poderá participar das investigações.
Azambuja diz que alguma parte do motor pode ter sido atingida por um pedaço da estrutura rompida. Ele suspeita que a fuselagem tenha quebrado em razão de falhas no projeto desse modelo ou até mesmo de fadiga metálica.
A TAM fez inspeção emergencial, anteontem e ontem, nas turbinas dos 50 Fokker 100 da empresa. Não foram constatados problemas. "As suposições de pessoas que não tiverem contato com a aeronave são irresponsáveis e danosas", disse Paulo Pompilio, assessor da presidência.
A Polícia Federal informou ontem que vai convocar para depor todos os tripulantes e alguns dos passageiros do vôo da TAM. Eles vão ser ouvidos por meio de carta precatória, já que moram em São Paulo. Técnicos da Rolls-Royce, fabricante do motor, chegam hoje a Belo Horizonte.


