Cotidiano
15/02/2008 - 09h24

Jovem diz ter sido mantida por 9 anos em cárcere privado em Luziânia (GO)

RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

Um homem de 61 anos está sendo procurado pela Polícia Civil de Goiás por suspeita de ter abusado sexualmente e mantido em cárcere privado uma jovem de 19 anos, durante nove anos, em Luziânia (212 km de Goiânia). Ele também é suspeito de ter cometido dois assassinatos.

De acordo com o depoimento da mulher no 1º Distrito Policial do município, o homem, dono de um bar com casa nos fundos, no bairro Sol Nascente, começou a aliciá-la quando ela tinha dez anos. Ambos moravam no mesmo bairro.

Na saída da escola, dava-lhe doces e presentes. Ainda de acordo com a jovem, ele começou a estuprá-la e ameaçá-la, dizendo que mataria a família dela caso ela revelasse algo.

Como justificativa para manter a menina em sua casa, o comerciante lhe dava cerca de R$ 20 por semana. Ela disse ter sido orientada pelo comerciante a dizer à família que havia conseguido um emprego.

Gravidez

Com 13 anos, a garota ficou grávida, segundo seu depoimento. Ao descobrir, a família denunciou o caso à polícia. O homem então incendiou o barraco da família, que fugiu para Samambaia (DF). A jovem disse que, cerca de quatro meses depois, eles foram localizados pelo comerciante, que matou a mãe dela a facadas.

Ela disse ter voltado para a casa do comerciante, ainda grávida, sob a ameaça de ter suas irmãs mortas. Disse que a partir de então pouco saiu de casa, e que só deixava o local na companhia dele. Segundo ela, a filha deles também era vítima de abusos. A casa onde vivia, segundo a jovem, não tinha janelas nem porta de fundo. Havia muito material pornográfico no local, disse.

A jovem afirmou ter ficado grávida novamente aos 16 anos e que o comerciante afogou a criança em um balde um dia após o nascimento, alegando que não queria um menino.

A ocorrência foi registrada em 4 de fevereiro. A jovem disse que fugiu após o homem ter levado uma surra de um credor e ter sido internado em um hospital. Ela foi levada à polícia por uma vizinha. O caso foi encaminhado à Delegacia de Mulheres do município, que está em busca do suspeito.

Comentários dos leitores
Pietro Guerriero (1) 18/02/2008 21h52
Pietro Guerriero (1) 18/02/2008 21h52
Ha' uma ignorancia muito grande em relacao a Direitos Humanos. O que se pretende e' que todos, criminosos ou nao, sejam tratados de forma justa. Ao criminoso, que seja submetido ao rigor da lei e da Justica. Ao que nao cometeu crime, a garantia da liberdade. O que eu, defensor dos direitos humanos, quero e' que os meus direitos sejam respeitados. Todos tem que ter direito ao devido processo. A denuncia da vitima e' seria e deve ser apurada, o denunciado julgado e condenado pelos crimes. A simples denuncia, ainda que seria, nao nos da' o direito de aplicar a pena ao denunciado. Imagine um ente querido que cometa um crime. Ninguem esta' livre disso. Como queremos que esse ente querido (nosso) seja tratado? E se for condenado? Voce quer que ele va' para uma cela superlotada? Agora, imagine que nao e' um ente querido, apenas um conhecido. Como voce se sentiria? Se o seu criterio muda, o problema esta' em voce, ou seja, para os seus tudo, para os outros nada, ou o rigor da lei. Nada diferente da mentalidade que atrasa o nosso pais ha' tantos anos. sem opinião
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waldir moreira (1) 15/02/2008 20h25
waldir moreira (1) 15/02/2008 20h25
TERESINA / PI
Cada vez mais fico revoltado com esse país, e até sinto vergonha dele. Esses comportamentos são gerados pela impunidade! Os políticos não aprovam leis melhores porque seriam os primeiros que seriam punidos. 1 opinião
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João Ribeiro (2) 15/02/2008 19h53
João Ribeiro (2) 15/02/2008 19h53
Sr. Mediador, enviei mensagem a respeito do comentario postado peloSr. Celio de Sousa, que acho ofensivo à vitima de Luziania, diante do exposto solicito: divullgue o meu comentario ou retire o do Sr. Celio de Sousa. 1 opinião
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