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Cotidiano
15/02/2008 - 09h58

Japoneses valorizam androginia por serem todos parecidos, diz pesquisadora

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da Folha Online

"Dizem que no Japão todo mundo é igual, e o pior é que é verdade", diz a pesquisadora Christiane Akune Sato, autora de "Japop -O Poder da Cultura Pop Japonesa". Para ela, é por isso que os japoneses valorizam a androginia enquanto o ocidente --ainda influenciado pelos conceitos gregos de estética-- reage com estranheza.

Sato ministrou a palestra "A Estética Andrógina na Moda Japonesa" na noite de ontem (14), no Senac da Lapa (zona oeste de São Paulo). O evento foi motivado pela comemoração do centenário da imigração japonesa no Brasil, completado neste ano.

De acordo com Sato, no ocidente, "homem bonito é uma coisa, mulher bonita é outra, e os dois são opostos". "Enquanto o homem ideal é desenhado com esquadros, a mulher ideal é feita com compasso e linhas francesas."

Divulgação
Como Ziggy Stardust, David Bowie popularizou visual andrógino
Como Ziggy Stardust, David Bowie popularizou visual andrógino

Ela compara os biótipos ocidentes com os orientais. "No Japão, você olha e é um mar de gente parecida. Quase todos tem a mesma altura, cor de cabelo, tom de pele. Homens e mulheres, lá, têm diferenças sutis. E as pessoas costumam elogiar dizendo que aquele homem 'é tão bonito quanto uma mulher'."

Como exemplo dessa valorização, Sato cita as próprias lendas do Japão. Ela conta que há uma história de um imperador que perde uma batalha contra um povo vizinho e pede que o filho caçula se fantasie de dançarina, seduza o rei inimigo e o mate. "Os japoneses contam, sem o menor problema, a história de um herói travestido, e ele ainda é da família imperial."

Na década de 70, o visual andrógino chegou ao ocidente. Um dos primeiros a adotá-lo foi o cantor David Bowie em sua turnê como Ziggy Stardust. "Pouca gente sabe, mas as roupas foram criadas por um estilista japonês, Kansai Yamamoto."

 

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