Três PMs suspeitos de participação em mortes são presos em SP
da Folha Online
Dois cabos e um soldado do 9º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano foram presos pela Corregedoria da PM e Polícia Civil nesta quinta-feira acusados de envolvimento numa ação que resultou na morte de duas pessoas ocorrida na zona norte de São Paulo no dia 12 de fevereiro de 2007.
Os três tiveram a prisão temporária decretada e devem ficar detidos por 30 dias. Agora sobe para dez o número de policiais militares de São Paulo presos temporariamente acusados de participar de mortes ou chacinas na zona norte.
O delegado Marcos Carneiro Lima, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), não descarta a possibilidade de pedir a prisão preventiva dos suspeitos. "Tratam-se de prisões cautelares e de natureza de investigação. Não há nada comprovado até agora, mas se for comprovado algo, poderemos pedir extensão no prazo", afirmou.
Os três PMs detidos hoje não tiveram seus nomes oficialmente revelados. Eles são suspeitos de participa de uma ação ocorrida no dia 12 de fevereiro de 2007 na zona norte que deixou duas pessoas mortas e outras sete feridas. A motivação das mortes, segundo Lima, seria o não pagamento de uma extorsão por parte das vítimas.
O delegado afirma que a Polícia Civil já reuniu provas contra os suspeitos, no entanto, pelo menos uma delas pode ser sido "plantada" intencionalmente ou acidentalmente para incriminar um dos policiais militares presos hoje. "Mesmo tendo uma prova é necessário checar para ver se tem embasamento e na investigação será checado", afirmou. Ele não detalhou o que seria essa prova colhida e qual seria sua eventual falha.
Além da prisão foram apreendidos objetos como armas e capacetes que podem indicar uma eventual participação em outros crimes, inclusive a morte do coronel José Hermínio Rodrigues, assassinado no último dia 16 de janeiro e que comandava a PM em parte da zona norte de São Paulo.
O coronel combatia grupos de extermínio supostamente formados por seus subordinados. Há suspeita de que policiais estejam envolvidos na morte de Rodrigues.
Balística
A prisão dos três policiais militares realizada hoje foi decretada atendendo a uma justificativa de que eles participaram da ação que resultou em duas mortes. No entanto, segundo Lima, será investigado se os três também participaram de um outro crime, uma chacina, ocorrida no dia 1º de fevereiro de 2007 na zona norte, que deixou seis pessoas mortas e uma ferida. Os assassinatos teriam sido provocados por um problema pessoal de um policial militar --que não está preso-- com as vítimas.
"Já foi feito o exame balístico e foi comprado que entre um crime [1º de fevereiro] e outro [12 de fevereiro] foram usadas as mesmas armas", afirmou o delegado. Apenas o exame a ser realizado nas armas apreendidas poderá comprovar se elas foram ou não utilizadas para praticar os assassinatos.
Grupo
Apesar de atualmente dez policiais militares cumprirem prisão temporária decretada pela Justiça e outros já tenham comparecido a Corregedoria da PM para prestar esclarecimentos, tanto a Polícia Militar quando a Polícia Civil de São Paulo negam a existência de um grupo de extermínio em atuação na zona norte.
Para o capitão Edson Roberto do Amaral, da Corregedoria da PM, a maior dificuldade encontrada é a reunião de provas. "A questão não é de reconhecer ou não reconhecer [a existência de um grupo de extermínio]. Só posso reconhecer se já possuir convicção firmada. O fato de um policial conhecer o outro, trabalhar com ou outro, não justifica", afirma.
Lima concorda com o capitão. Ele minimizou a quantidade de policiais militares presos ao afirmar que a PM possui um efetivo de cerca de 90 mil homens em atuação no Estado. Segundo ele, o importante inicialmente é saber se de fato eles foram os autores dos homicídios ou não. Só depois será possível saber, tecnicamente, segundo ele, se de fato trata-se de um grupo de extermínio.
"Temos de estabelecer se cada homicídio tem um vínculo com outro e se houve a mesma motivação e se trata do mesmo grupo", afirmou.
Polícia Federal
A opinião das duas autoridades das polícias paulistas não é compartilhada pelo MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), que reúne cerca de 400 quatrocentas entidades de direitos humanos.
A entidade enviou ao ministro da Justiça, Tarso Genro, um documento solicitando o apoio do setor de inteligência da Polícia Federal ao governo do Estado de São Paulo com o objetivo, segundo a entidade, de enfrentar as ações dos grupos de extermínio que atuam no Estado.
Em carta enviada ao ministro, eles citam a morte do coronel Rodrigues e lembram que policiais militares estão sendo investigados como possíveis autores do assassinato.
"As investigações são lentas e estamos desde maio de 2006 alertando a respeito do aumento no número de mortes", segundo Ariel de Castro Alves, coordenador de relações internacionais do MNDH.
Em levantamento realizado pela entidade, em 2006, pelo menos 89 pessoas foram assassinadas por grupos de extermínio e ao menos 39 chacinas, resultando em 136 mortos. Em 2007, só na cidade de São Paulo ocorreram 22 chacinas com 89 mortes, sendo sete na zona norte de São Paulo, que resultaram em 34 pessoas assassinadas, segundo a entidade.
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