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Cotidiano
22/02/2008 - 07h05

Palace 2 afetou mercado imobiliário da Barra; entorno já tem novos prédios

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LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio

Como um cemitério, a área no entorno do Palace 2 --que estava em pleno crescimento imobiliário na época do desabamento do prédio, há dez anos-- atravessou anos obsoleta. Assustado, o mercado de construção civil --e principalmente seus clientes-- se afastaram da região, segundo o presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, que também presta consultoria imobiliária.

Luisa Belchior/Folha Imagem
Terreno do Palace 2, na Barra da Tijuca, com o Palace 1 ao fundo
Terreno do Palace 2, na Barra da Tijuca, com o Palace 1 ao fundo

"A área sofreu um impacto muito violento. Quem ia comprar apartamento na Barra não queria que fosse ali. Os imóveis que já estavam construídos desvalorizaram muito. As pessoas ficaram assustadas. A Barra ficou marcada e é marcada até hoje".

Aos poucos, e na falta de opção de novos terrenos em uma já bastante ocupada Barra da Tijuca, o mercado imobiliário retornou à região, que hoje já tem novos prédios construídos. O terreno onde um dia foi erguido o Palace 2, contudo, permanece com resquícios de abandono: o mato alto tomou conta da área, também ocupada por pedaços de tijolos, ruínas e até sacos de lixo.

Arrematado pela própria Associação de Vítimas do Palace 2 em junho do ano passado, a área ainda não pode ser explorada porque os moradores do Palace 1, que têm condomínio compartilhado com o Palace 2, e o próprio Sérgio Naya contestaram na Justiça o leilão. Assim que o terreno for liberado, os moradores do Palace 2 vão revendê-lo, de acordo com o advogado da associação do Palace 2, Nélio Andrade.

Quem mais sofreu essa desvalorização e abandono foram os moradores do vizinho Palace 1. "Os moradores tiveram perda patrimonial enorme. Agora que estão recuperando, mas fica o estigma", diz o advogado que representa o Palace 1, Cláudio Mendonça Filho, que mantém na Justiça ações contra Sérgio Naya por danos morais e estruturais.

Por causa da implosão do vizinho, o Palace 1 teve que ser evacuado na época e acabou interditado por dez meses, deixando quase 200 famílias desalojadas no períodos.

Os condôminos do Palace 1 já conseguiram receber, no total, cerca de R$ 1 milhão por danos materiais, mas, segundo Ramos, ainda aguardam decisão de ações por danos morais, que prevê pagamento de 500 salários mínimos para cada morador.

 

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