Palace 2 afetou mercado imobiliário da Barra; entorno já tem novos prédios
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Como um cemitério, a área no entorno do Palace 2 --que estava em pleno crescimento imobiliário na época do desabamento do prédio, há dez anos-- atravessou anos obsoleta. Assustado, o mercado de construção civil --e principalmente seus clientes-- se afastaram da região, segundo o presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, Delair Dumbrosck, que também presta consultoria imobiliária.
| Luisa Belchior/Folha Imagem |
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| Terreno do Palace 2, na Barra da Tijuca, com o Palace 1 ao fundo |
"A área sofreu um impacto muito violento. Quem ia comprar apartamento na Barra não queria que fosse ali. Os imóveis que já estavam construídos desvalorizaram muito. As pessoas ficaram assustadas. A Barra ficou marcada e é marcada até hoje".
Aos poucos, e na falta de opção de novos terrenos em uma já bastante ocupada Barra da Tijuca, o mercado imobiliário retornou à região, que hoje já tem novos prédios construídos. O terreno onde um dia foi erguido o Palace 2, contudo, permanece com resquícios de abandono: o mato alto tomou conta da área, também ocupada por pedaços de tijolos, ruínas e até sacos de lixo.
Arrematado pela própria Associação de Vítimas do Palace 2 em junho do ano passado, a área ainda não pode ser explorada porque os moradores do Palace 1, que têm condomínio compartilhado com o Palace 2, e o próprio Sérgio Naya contestaram na Justiça o leilão. Assim que o terreno for liberado, os moradores do Palace 2 vão revendê-lo, de acordo com o advogado da associação do Palace 2, Nélio Andrade.
Quem mais sofreu essa desvalorização e abandono foram os moradores do vizinho Palace 1. "Os moradores tiveram perda patrimonial enorme. Agora que estão recuperando, mas fica o estigma", diz o advogado que representa o Palace 1, Cláudio Mendonça Filho, que mantém na Justiça ações contra Sérgio Naya por danos morais e estruturais.
Por causa da implosão do vizinho, o Palace 1 teve que ser evacuado na época e acabou interditado por dez meses, deixando quase 200 famílias desalojadas no períodos.
Os condôminos do Palace 1 já conseguiram receber, no total, cerca de R$ 1 milhão por danos materiais, mas, segundo Ramos, ainda aguardam decisão de ações por danos morais, que prevê pagamento de 500 salários mínimos para cada morador.
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