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Cotidiano
22/02/2008 - 07h07

Há dez anos, queda do Palace 2 matou 8 no Rio; saiba mais

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Colaboração para a Folha Online, no Rio

No dia 22 de fevereiro de 1998, o edifício Palace 2, na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio), desabou parcialmente, causando a morte de oito pessoas e deixando 150 famílias desabrigadas.

Nos cinco dias seguintes, a área ficou isolada e em estudo, até que uma outra coluna veio abaixo e, no sexto dia, a Justiça decidiu por implodir toda a construção.

27.fev.98/Folha Imagem
Edifício Palace 2, que desabou parcialmente há dez anos
Edifício Palace 2, que desabou parcialmente há dez anos

Três dias depois do primeiro desabamento, o nome do então deputado federal Sérgio Naya começou a entrar no foco das acusações. Ele era o dono da Sersan, empresa que construiu o edifício.

Um dia após ao desabamento da coluna lateral do Palace 2, a Sersan divulgou uma nota em que dizia querer crer "que esse efeito [o desabamento] apenas ocorreria por força de uma sobrecarga ocasionada por algum proprietário que, em seu apartamento, estivesse realizando obras fora das especificações e da capacidade de carga das varandas".

O Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro) apontou "erro grosseiro no dimensionamento" de pilares e afirmou que Naya era o responsável pela obra, um laudo criminal afirmou ter encontrado pedaços de madeira, sacos de cimento, jornal e plástico junto ao concreto de pilares do Palace 2 e um parecer técnico da Justiça do Rio também apontou, na época, erros básicos na execução do prédio.

Ichiro Guerra/Folha Imagem
Sérgio Naya, que era dono da construtora que ergueu o Palace 2
Sérgio Naya, que era dono da construtora que ergueu o Palace 2

Entre eles, a presença de umidade e pedaços de mármore soltos na estrutura, pilares com estufamento e corrosão, revestimentos com placas soltas e infiltrações.

Nos dois meses seguintes, o empresário teve o mandato de deputado federal cassado e suas contas bancárias bloqueadas pela Justiça. Acabou, contudo, absolvido em processo judicial que o apontava como réu do crime de responsabilidade pelo desabamento do edifício Palace 2.

Absolvido em primeira instância e julgado novamente depois de recurso do Ministério Público, Naya chegou a ser condenado a dois anos e oito meses de prisão em regime semi-aberto, revertida em prestação de serviços comunitários e pagamento de multa. O acórdão, contudo, foi anulado em 2001.

Em 1999, o empresário chegou a ficar 26 dias na Polinter, no Rio, após se preso em Brasília, acusado de ser o responsável pelo desabamento do Palace 2. A defesa de Naya baseou-se na argumentação de que ele não era responsável pelo planejamento e execução do prédio. Em 2004, voltou a ser preso em Porto Alegre, quando tentava fugir para Montevidéu, e ficou detido por mais quatro meses.

O ex-deputado foi condenado a pagar indenizações que variavam entre R$ 200 mil e R$ 1,5 milhão a cerca de 120 famílias do Palace 2. Alegou, contudo, não ter dinheiro, e seus bens começaram a ser leiloados, em um processo que se desenrola até hoje.

As vítimas ainda reivindicam indenizações. Há uma década, 15 famílias vivem em um hotel no Rio.

À Folha Online, Naya afirmou que o desabamento foi uma fatalidade e disse que a associação das vítimas criou uma "indústria de danos morais".

 

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